Conservadorismo e adesão política das “classes subalternas” na vida cotidiana

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/rbba.v16i1.18638

Palavras-chave:

cotidiano, conservadorismo, sociedade capitalista

Resumo

Utilizada em sentido diversos tanto por liberais como por aqueles que se afirmam de “esquerda” a palavra conservadorismo tem servido muito mais a confusões do que esclarecimentos. Se esvazia, por exemplo, a sua vinculação com o terreno histórico que a lançou ao primeiro plano no período da grande revolução burguesa na França, ou, então, se opera com reducionismos que procuram restringir a referência apenas à existência do modo de produção capitalista. Desconsidera-se, neste sentido, que a vida cotidiana e não especificamente o modo de produção capitalista, é o terreno no qual o conservadorismo se expressa. Igualmente se faz necessário considerar, e este é o norte do artigo proposto, que o conservadorismo, enquanto prática social, não está restrito às classes dominantes, sem o que seria impossível explicar, por exemplo, a vitória de Jair Messias Bolsonaro para presidente da República, no Brasil. Neste sentido, o texto constrói sua argumentação partindo de uma hipótese: as ideias conservadoras atravessam a história, estão enraizadas na vida cotidiana das sociedades estruturadas em classes sociais, e assumem em cada tempo histórico uma configuração específica.

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Biografia do Autor

Ariovaldo de Oliveira Santos, Universidade Estadual de Londrina

Doutora em Sociologie et Sciences Sociales - Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne) (1997). Atualmente é professor associado 3 da Universidade Estadual de Londrina. 

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Publicado

2026-05-04

Como Citar

SANTOS, Ariovaldo de Oliveira; ESPÍRITO, Paula Fernandes D. Conservadorismo e adesão política das “classes subalternas” na vida cotidiana. Revista Binacional Brasil-Argentina: Diálogo entre as ciências, [S. l.], v. 16, n. 1, p. e18638, 2026. DOI: 10.22481/rbba.v16i1.18638. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/rbba/article/view/18638. Acesso em: 21 maio. 2026.