Conservadorismo e adesão política das “classes subalternas” na vida cotidiana
DOI:
https://doi.org/10.22481/rbba.v16i1.18638Palavras-chave:
cotidiano, conservadorismo, sociedade capitalistaResumo
Utilizada em sentido diversos tanto por liberais como por aqueles que se afirmam de “esquerda” a palavra conservadorismo tem servido muito mais a confusões do que esclarecimentos. Se esvazia, por exemplo, a sua vinculação com o terreno histórico que a lançou ao primeiro plano no período da grande revolução burguesa na França, ou, então, se opera com reducionismos que procuram restringir a referência apenas à existência do modo de produção capitalista. Desconsidera-se, neste sentido, que a vida cotidiana e não especificamente o modo de produção capitalista, é o terreno no qual o conservadorismo se expressa. Igualmente se faz necessário considerar, e este é o norte do artigo proposto, que o conservadorismo, enquanto prática social, não está restrito às classes dominantes, sem o que seria impossível explicar, por exemplo, a vitória de Jair Messias Bolsonaro para presidente da República, no Brasil. Neste sentido, o texto constrói sua argumentação partindo de uma hipótese: as ideias conservadoras atravessam a história, estão enraizadas na vida cotidiana das sociedades estruturadas em classes sociais, e assumem em cada tempo histórico uma configuração específica.
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