Sentir o mundo a partir da infância: a escuta das crianças no cotidiano escolar
DOI:
https://doi.org/10.22481/redupa.v5i5.18904Palavras-chave:
escuta sensível, oralitura, narradoras, pedagogia da imaginação, saberes ancestrais, infânciasResumo
O texto apresenta uma proposta pedagógica centrada na escuta sensível das crianças no cotidiano escolar, compreendida como gesto ético, estético e político. A metáfora do lançar da flecha anuncia a potência da palavra infantil: ainda que invisível aos olhos adultos, são as crianças que reconhecem onde ela cai — no território do narrar. A contação de histórias configura-se como método e como rito, inaugurando um espaço brincante e imaginativo onde a oralitura revela memórias, afetos e saberes. A escuta proposta ultrapassa a dimensão auditiva e convoca o corpo inteiro: arrepios, silêncios, lágrimas e comoções compõem essa experiência. O que poderia parecer um momento ordinário da rotina escolar transforma-se em acontecimento singular quando leitura, narrativa infantil e imaginação se entrelaçam. Inspirada nos saberes dos ibejis, cuja presença nos terreiros evoca brincadeira, canto e aconselhamento, a escrita propõe fendas brincantes no cotidiano. Essas brechas afirmam a infância como produtora de conhecimento e narrativa, deslocando a centralidade do adulto e reconhecendo as crianças como sujeitos de saber. Assim, a experiência pedagógica delineada aponta para um mundo em que as crianças sejam efetivamente ouvidas e sentidas na escola da periferia, consolidando uma prática educativa fundada na escuta, na imaginação e na valorização das infâncias.
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