Influência e interferência do sistema educativo colonial no currículo em Angola, sua permanência e manutenção
DOI:
https://doi.org/10.22481/redupa.v5i5.19253Palavras-chave:
educação, decolonialidade, currículo educacional, AngolaResumo
O sistema educativo colonial português em Angola, orientado pelo assimilacionismo e pela formação de mão de obra subalterna, instituiu um currículo eurocêntrico e restritivo, que perpetuou relações de dependência. A influência colonial deixou marcas profundas, evidenciadas na valorização da língua portuguesa em detrimento das línguas nacionais e na exclusão das culturas locais. Desse modo, o ensino básico foi estruturado para a subordinação, limitando, consequentemente, o acesso aos níveis mais elevados de escolarização. Nessa perspectiva, a partir de uma abordagem decolonial, busca-se compreender a permanência do pensamento ocidental no currículo angolano, entendida como uma forte herança colonial e neocolonial. Tal herança revela uma dependência epistemológica que privilegia autores, filosofias e modelos educacionais europeus — sobretudo portugueses — em detrimento dos saberes locais africanos. Assim, embora Angola tenha conquistado a independência, o sistema educativo ainda enfrenta desafios significativos para se desvincular dessa matriz eurocêntrica. De acordo com Cruz (2022), a perspectiva decolonial apresenta-se como uma alternativa, isto é, uma nova forma de pensar, ser, agir e construir, que rompe com as cronologias estabelecidas pelos paradigmas da modernidade, estando intrinsecamente conectada ao pensamento fronteiriço. Este, por sua vez, consiste, antes de tudo, na singularidade epistêmica que fundamenta qualquer projeto decolonial. Nesse sentido, a construção desse caminho de transgressão requer o desprendimento de valores modernos/coloniais, historicamente apresentados como universais e absolutos.
Downloads
Referências
ANTÓNIO, Fernando Júnior Adão. Repensando a educação em Angola na perspectiva decolonial – Goiânia: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Câmpus Goiânia, 2024.
CRUZ, Catarina Nery da. Modernidade/colonialidade e decolonialidade, trilhas de um novo olhar para a américa latina. Revista Sociedade em Debate Conselho de Ensino e Extensão. Faculdade Três Marias V. 4 - Nº 2 - Ano 2022 ISSN | 2674-9238 | ojs.faculdadetresmarias.edu.br
CERVO, Amado Luiz; BERVIAM, Pedro Alcino; SILVA, Roberto. Metodologia cientifica: São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.
FERREIRA, Tadeu da Silva. Decolonialidade e educação: repensando as relações de poder no ambiente escolar. Universidade Federal de Pernambuco, 2023.
PINTO, Tatiana Pereira Leite. Modernidade x Tradição: homem novo e o “problema” racial e étnico em Angola. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH. São Paulo, julho 2011.
PEREIRA, Henrique Alonso de A. R. Hegemonia epistêmica e resistência decolonial: alternativas para um saber plural e inclusivo. ISBN 978-65-5360-861. V. 1, Ano 2024. www.editoracientifica.com.br
QUINTERO, Pablo; FIGUEIRA, Patrícia; ELIZALDE, Paz Concha. Uma breve história dos estudos decoloniais - Estefânia peñafiel loaiza Cartographie1. the crisis of dimension, 2010
SANTOS, Feiruque de Jesus dos; SCHNEIDER NETO, Emanoel José; ALMEIDA, Flávio Aparecido de. Ensino de filosofia e pensamento decolonial no ensino médio: considerações a partir de um relato de experiência. Decolonialidade: aspectos contemporâneos fundamentais– Guarujá-SP: Científica Digital, 2024.
SILVA, Tarcísio da Guarda. Decolonialidade na ciência: reconstruindo conhecimento para inclusão e pluralismo epistemológico. Decolonialidade: aspectos contemporâneos fundamentais– Guarujá-SP: Científica Digital, 2024.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Manuel Pedro Cumboto, Edmacy Quirina de Souza

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
