Língua e poder: narrativa sobre a interdição dos modos de falar das juventudes na escola
DOI:
https://doi.org/10.22481/redupa.v5i5.19799Palavras-chave:
juventudes, linguagem, ensino de teatroResumo
O artigo analisa como a escola atua na regulação dos modos de falar das juventudes, tomando como ponto de partida a narrativa da censura de uma esquete teatral criada por estudantes do ensino técnico integrado ao médio . A experiência evidencia que a proibição do uso de palavrões ultrapassa questões linguísticas e revela mecanismos de poder, disciplina e violência simbólica que legitimam apenas determinadas formas de expressão, associadas às classes dominantes. Pensamos como a linguagem funciona como instrumento de inclusão e exclusão social, levando estudantes a internalizarem normas que restringem sua própria fala. Após a apresentação da peça ser bem recebida pelo público, a intervenção da gestão escolar resultou na retirada do grupo das atividades institucionais, interpretada como estratégia de silenciamento. Relacionamos essa experiência às desigualdades reproduzidas pela escola, à valorização da cultura considerada legítima e à desqualificação das formas de expressão populares. Por fim, defendemos a arte, especialmente o teatro, como espaço de resistência, capaz de ampliar a visibilidade das juventudes, questionar hierarquias linguísticas e promover novas formas de participação e emancipação no ambiente escolar.
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