Desafios do conservadorismo nas políticas de inclusão do surdo negro: o resgate da memória para superar obstáculos

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.22481/redupa.v3.13836

Resumen

Este artigo busca analisar os desafios enfrentados pelas políticas de inclusão de surdos negros no Brasil e seu prejuízo com o avanço do conservadorismo no Brasil, bem como destacar como a preservação da memória pode ser uma ferramenta para superar esses obstáculos. Partimos da premissa de que o crescimento das tendências conservadoras no Brasil tem impactado negativamente a luta contra o preconceito e prejudicado as políticas de inclusão, especialmente nas escolas sendo uma situação se agrava quando se trata de surdos negros, que além da surdez, ainda enfrentam preconceitos de raça. Utilizando uma abordagem qualitativa, fundamentada em autores como Silva (2011), Quadros (2004) e Santos e Obregón (2019), realizamos entrevistas semiestruturadas em uma escola da rede pública em Vitória da Conquista, Bahia. Nossos resultados indicam que os surdos negros enfrentam desafios significativos relacionados tanto à sua deficiência auditiva quanto à sua cor de pele. Nas entrevistas, também identificamos a falta de intérpretes de Libras como um dos principais problemas enfrentados por esses indivíduos. No entanto, acreditamos que o resgate da memória desses alunos e a promoção do compartilhamento e acesso às suas histórias de vida podem ser estratégias valiosas para combater a ausência de políticas inclusivas e resistir à crescente influência conservadora que avança no Brasil.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Wemerson Meira Silva, Southwest Bahia State University

Doutor em Memória: Linguagem e Sociedade, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Docente da UESB.

Contribuição de autoria: autor.

Igor Tairone Ramos dos Santos, Universidade Federal da Bahia

Doutorando em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Educação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Movimentos Sociais, Diversidade e Educação do Campo e Cidade-GEPEMDECC. Contribuição de autoria: autor.  

Citas

BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética: fundamentos sócio-históricos. São Paulo: Cortez, 2009.

BATALLA, Denise Valduga. Política Nacional de Educação especial na perspectiva da educação inclusiva brasileira. Fundamentos em Humanidades, v. 19, n. 1, 2009, p.77-89. Universidad Nacional de San Luis, Argentina.

BORJA, Maria Eunice Limoeiro; PEREIRA, Cleifson Dias. As leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08: reflexões a partir do pensamento crítico acerca da colonialidade do saber. Cenas Educacionais, v. 1, n. 1, p. 242-270, 2018.

BRASIL. Lei 10.436 de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2002/.htm. Acesso em: 02 abr. 2022.

BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). Brasília, DF, 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Parecer CNE/CEB n.017/2001.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial. Brasília, DF: MEC/SEESP, 1994.

BRASIL. Senado Federal. Decreto nº. 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais -Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2005.

BRASIL. Senado Federal. Lei nº 10.678, de 23 de maio de 2003. Cria a secretaria especial de políticas de promoção da igualdade racial, da presidência da república, e dá outras providências. Brasília, DF, 2003b.

BRITO, Fabio Bezerra de. O movimento social surdo e a campanha pela oficialização da língua brasileira de sinais.2013. 275 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.

CAMPOS, Luísa Maria Ribeiro da Rocha Peixoto. Da escola da normalização à escola da diversidade: perspectivas da educação de surdos nos últimos trinta anos em Portugal: relatório de atividade profissional. 2013. Dissertação (Mestrado em Ciências da Educação) – Faculdade de Ciências Sociais, Universidade Católica Portuguesa, Braga, 2013.

CANDAU, Vera Maria. Multiculturalismo e educação: desafios para a prática pedagógica. Multiculturalismo: Diferenças Culturais e Práticas Pedagógicas, v. 2, p. 13-37, 2008.

CHAMPAGNAT, Pauline; Conceição Evaristo. A reconstrução de uma identidade fragmentada em becos da memória. Revista Criação & Crítica, v. 22, p. 57-71, 2018.

DE PAULA, A.; PEREIRA, K.; COSTA, F.; LIMA, K.; FERREIRA, E. Modernização conservadora, pedagogia do capital e as reformas educacionais. Cadernos do GPOSSHE Online, v. 2, n. 1, p. 26 - 44, 19 ago. 2019.

FLACH, S. de F.; DA SILVA, K. C. J. R. O avanço conservador na legislação brasileira e seus impactos na educação. Cadernos do GPOSSHE On-line, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 64–83, 2019. DOI: 10.33241/cadernosdogposshe.v2i1.1522. Disponível em:

https://revistas.uece.br/index.php/CadernosdoGPOSSHE/article/view/1522. Acesso em: 24 set. 2023.

FREITAS, Sonia Maria de. História oral: possibilidades e procedimentos. São Paulo: Humanitas; Imprensa Oficial do Estado, 2002.

GOLDFELD, Márcia. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sociointeracionista. 2. ed. São Paulo: Plexus, 2002.

GONZÁLES, Eugenio. Necessidades educacionais específicas. Porto Alegre, Artmed, 2007.

KELMAN, Celeste Azulay, SILVA, Daniele Nunes Henrique; AMORIM, Ana Cecília Ferreira de; AZEVEDO, Dayse Cristina; MONTEIRO, Rosa Marinho Godinho. Surdez e família: facetas das relações parentais no cotidiano comunicativo bilíngue. Linhas Críticas,

(33), 349-365, 2011. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/linhascriticas/article/view/5698/4710. Acesso em: 28 jun. 2022.

RIBEIRO, Djamila. Lugar de fala. Pólen Produção Editorial LTDA, 2019.

SANTOS, Fernanda Araújo Mota; OBREGÓN, Marcelo Fernando Quiroga. A ascensão dos partidos políticos de extrema direita na Europa: os possíveis reflexos desse fenômeno para União Europeia. Disponível em: https://www.obeltrano.com.br/portfolio/escolas-ruraisinterrompidas/ . Acesso em: 10 fev. 2021.

SILVA, Adriana Brito da et al. A extrema-direita na atualidade. Serviço Social & Sociedade,São Paulo, n. 119, p. 407-445, Sept. 2014. Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282014000300002&lng=en&nrm=iso. access on 13 Feb. 2021. https://doi.org/10.1590/S0101-66282014000300002.

SILVA, Vilmar. Educação de surdos: uma releitura da primeira escola pública para surdos em Paris e do Congresso de Milão em 1880. In: QUADROS, Ronilce Müller de (org.). Estudos Surdos I: Série de Pesquisas. Petrópolis: Arara Azul, 2006.

SILVA, Wemerson Meira. Educação inclusiva para surdos/as: memórias sobre o componente curricular história e cultura afro-brasileira e africana no município de Vitória da Conquista-BA. 2022. 01 f. Tese (Doutorado) - Curso de Doutorado em Linguagem,

Universidade Estadual da Bahia, Vitória da Conquista, 2022.

SILVÉRIO, Valter Roberto. Ações afirmativas e diversidade étnico-racial, 2005. In. SANTOS, Sales Augusto dos (org.). Ações afirmativas e combate ao racismo nas Américas. Brasília-DF: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada,

Alfabetização e Diversidade, 2005. p. 141-163.

SKLIAR, Carlos. Sobre o currículo na educação dos surdos. Espaço, Rio de Janeiro, n. 8, p. 38-43, 1997.

STOBÃUS, Claus; MOSQUERA, Juan. Educação especial: em direção à educação inclusiva. 2. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.

Publicado

2024-01-16

Cómo citar

SILVA, Wemerson Meira; SANTOS, Igor Tairone Ramos dos. Desafios do conservadorismo nas políticas de inclusão do surdo negro: o resgate da memória para superar obstáculos. Revista Educação em Páginas, [S. l.], v. 3, n. 03, p. e13836, 2024. DOI: 10.22481/redupa.v3.13836. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/redupa/article/view/16408. Acesso em: 20 may. 2026.