A educação infantil na agenda retórica dos governos brasileiros (2014–2024): silenciamentos e disputas discursivas no ciclo político da primeira infância
DOI:
https://doi.org/10.22481/redupa.v5i5.18695Palavras-chave:
educação infantil, política educacional, agenda governamental, discurso político.Resumo
Para compreender aspectos da educação infantil na agenda governamental brasileira, este artigo tem como objetivo geral objetivo geral analisar como a Educação Infantil foi construída, mencionada e/ou silenciada na agenda retórica dos governos federais brasileiros entre 2014 e 2024. Ademais, visamos compreender de que maneira discursos de posse, mensagens presidenciais ao Congresso Nacional e planos de governo conferem visibilidade ou invisibilidade para a primeira infância no ciclo político, marcada por disputas discursivas e prioridades governamentais. A pesquisa, de abordagem qualitativa, documental e interpretativa, fundamenta-se no modelo dos ciclos de políticas (Bowe; Ball; Gold, 1992), na análise de conteúdo (Bardin, 2011) e articulando a análise crítica-reflexiva do discurso. O corpus reúne 10 anos de documentos oficiais de quatro governos (Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva), sistematizando menções aos termos “educação infantil”, “creche” e “pré-escola”. Os resultados indicam baixa centralidade da Educação Infantil na retórica presidencial, somente no governo Dilma mencionou a área em discurso de posse; as mensagens ao Congresso apresentam oscilações marcadas por conjunturas políticas e econômicas; e os planos de governo demonstram tímida presença do tema, sobretudo após 2016. Os achados evidenciam silenciamentos discursivos que fragilizam a consolidação da Educação Infantil como prioridade do Estado.
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