As concepções matemáticas dos artesãos e sua aplicação na educação matemática: um estudo de artefatos culturais Amákhua em Moçambique
DOI:
https://doi.org/10.22481/reed.v6i13.16936Palavras-chave:
Etnomatemática; Artefatos culturais; Moçambique; Concepções matemáticas; AmákhuwaResumo
O presente artigo apresenta uma pesquisa qualitativa realizada por meio de entrevistas com artesãos da etnia Amákhua, de Moçambique. O objetivo da investigação foi identificar as manifestações matemáticas empregadas pelos artesãos no processo de produção de seus artefatos, reconhecendo-as como expressões de saberes matemáticos populares. Buscou-se, também, identificar os elementos matemáticos incorporados aos artefatos, bem como seu valor simbólico e sociocultural. Descrevemos, neste artigo, as práticas de alguns desses artesãos durante a confecção de seus produtos artesanais. O estudo fundamenta-se, principalmente, nos referenciais teóricos da Etnomatemática e da Educação Matemática. As atividades de campo foram desenvolvidas em comunidades artesanais da província de Nampula, especificamente nos distritos de Mossuril e em bairros periféricos da cidade de Nampula, em Moçambique. Metodologicamente, a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, utilizando técnicas de observação participante. Esta técnica consistiu na observação atenta das práticas artesanais para identificar saberes e manifestações matemáticas presentes no processo de manufatura, bem como para reconhecer os elementos matemáticos incorporados nos artefatos e compreender o significado e o valor cultural de cada peça estudada. Os resultados evidenciam a presença de saberes matemáticos no fazer artesanal, indicando que muitos dos artefatos produzidos incorporam conceitos matemáticos que podem ser explorados como objetos de estudo em contextos educativos, especialmente nas aulas de Matemática.
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