CHAMADAS TEMÁTICAS 2026
Dossiê Temático - Semestre 2026.1
1) Arte, Literatura, Discurso - Narrativas em Alteridade / fólio, n.1, v.17 (2026)
Submissões até 30 de abril de 2026
Organizadores:
Iara Cerqueira Linhares de Albuquerque (PPGCEL/UESB, PPGDAN/UFRJ, Brasil)
José Rosa dos Santos Junior (IFBAIANO, POSLET/UNIFESSPA, Brasil)
Este dossiê tem como objetivo reunir produções acadêmicas e artístico-reflexivas que abordem experiências, práticas e teorizações em torno das narrativas que emergem da diferença — sejam elas de ordem estética, política, epistêmica ou existencial. Interessa-nos acolher trabalhos que reflitam sobre a arte e a literatura como potências de resistência, reinvenção do sensível e produção de subjetividades outras, especialmente a partir de sujeitos e territórios historicamente marginalizados ou silenciados.
Entendemos a arte como potência — de ruptura, de criação e de atravessamento — capaz de tensionar discursos hegemônicos e abrir espaços para outras formas de existência e conhecimento. Nesse sentido, o dossiê acolhe produções que explorem a arte e a literatura como práticas ativas de reexistência, interpelando as relações entre linguagem, corpo, memória, educação e política.
Artigos, ensaios teóricos, relatos de experiência, entrevistas, resenhas e produções híbridas que articulem os seguintes eixos (sem se limitar a eles):
. Arte e literatura como práticas de resistência, emancipação e potência transformadora;
. Narrativas dissidentes: corpos, gêneros, raças, sexualidades e territórios;
. Epistemologias do Sul, decolonialidade e vozes subalternizadas;
. Arte-educação, formação docente e pedagogias da escuta;
. Práticas artísticas em contextos escolares, comunitários ou institucionais;
. Performance, dança, teatro, literatura e imagem como narrativas em alteridade;
. Poéticas visuais, escritas marginais e estéticas periféricas;
. Oralidades, memórias, narrativas autobiográficas e escritas de si.
Dossiês Temáticos - Semestre 2026.2
2) Letramentos em Inteligência Artificial e Escrita Universitária: formação, autoria e práticas pedagógicas na produção acadêmica em ambientes algorítmicos / fólio, n.2, v.17 (dez/2026)
Submissões até 30 de junho de 2026
Organizadores:
Júlio Araújo (UFC-CNPq, Brasil)
Fabiana Komeseu (Unesp-CNPq, Brasil)
Paulo Boa Sorte (UFS, Brasil)
Paulo Brazão (Universidade da Madeira, Portugal)
A popularização de sistemas de Inteligência Artificial Generativa tem tornado a escrita universitária um território de reconfigurações aceleradas. Em cursos de graduação e pós-graduação, a presença cotidiana de ferramentas de escrita assistida não altera apenas o “como” se escreve: desloca aquilo que passa a ser entendido como planejamento textual, autoria, revisão, argumentação, evidência, estilo e responsabilidade epistêmica. Diante disso, torna-se insuficiente tratar a IA apenas como um recurso instrumental. O desafio, agora, é compreender quais letramentos precisam ser desenvolvidos por estudantes e por docentes para que a escrita acadêmica siga sendo uma prática de formação intelectual, produção de conhecimento e compromisso ético.
Este dossiê propõe deslocar a discussão para um recorte específico: a escrita universitária como prática formativa em contextos mediados por IA, investigando como se constroem, se ensinam e se avaliam letramentos acadêmicos e letramentos em Inteligência Artificial/letramentos algorítmicos no cotidiano da universidade. Interessa-nos acolher pesquisas empíricas e reflexões teórico-metodológicas que examinem práticas concretas de sala de aula, propostas curriculares, modelos e frameworks de letramento em IA, metodologias de ensino de gêneros universitários e processos de orientação acadêmica, além de debates sobre autoria, integridade, avaliação e desigualdades de acesso.
Assim, o foco do dossiê não é apenas o “impacto” da IA na escrita, mas a construção de uma agenda de pesquisa e intervenção que responda à pergunta central: como formar sujeitos capazes de escrever, ler, revisar, avaliar e pesquisar criticamente quando a linguagem passa a ser co-produzida com sistemas algorítmicos?
Eixos temáticos:
Serão bem-vindos artigos que abordem, entre outros, os seguintes temas:
. letramento em Inteligência Artificial e suas interfaces com letramentos acadêmicos no ensino superior;
. propostas de integração curricular do letramento em IA na formação inicial e continuada;
. escrita universitária e ensino de gêneros acadêmicos em ambientes mediados por IA;
. metodologias, oficinas e práticas pedagógicas para escrita acadêmica com IA, em perspectiva crítica e ética;
. autoria como posicionamento discursivo, originalidade, esforço e ética em práticas universitárias com IAGen;
. IA e avaliação da escrita acadêmica: critérios, rubricas, integridade e políticas institucionais;
. impactos da IA nos processos de orientação (TCC, dissertação, tese) e na escrita de artigos científicos;
. letramentos para curadoria, verificação e responsabilidade informacional em textos produzidos com IA;
. desigualdades de acesso, assimetrias epistêmicas e formas de exclusão em contextos algorítmicos;
. debates ontoepistemológicos sobre autoria, aprendizagem e produção de sentidos em tempos de IA generativa.
3) Vozes da Diáspora e da Transformação: Imagens de Deslocamento e Pertencimento / fólio, n.2, v.17 (dez/2026)
Submissões até 30 de agosto de 2026
Organizadores:
Marcus Antônio Assis Lima (UESB, Brasil)
Oumeima Mouelhi (University of Tunis El Manar, Tunísia)
Fábio Agra (UFRB, Brasil)
A literatura da diáspora e o significado da rica experiência que ela retrata para aqueles que, voluntária ou involuntariamente, tiveram que fugir de suas terras natais em busca de um destino melhor, ainda ressoam fortemente em um mundo multicultural hoje. Originalmente cunhada com conceitos como alienação, deslocamento, busca por identidade, a literatura diaspórica, em sua rica pluralidade, manifesta-se em diversas geografias e por meio de múltiplas vozes. A nostalgia pela própria terra natal versus hibridismo cultural, assimilação versus dissimilação, enraizamento na cultura do outro versus o sentimento de desenraizamento são temas profundamente enraizados no processo da jornada diaspórica. As migrações ajudaram a construir um novo reino de uma comunidade emergente que abrange uma variedade de identidades culturais, étnicas e políticas.
Esta chamada de artigos visa aprofundar a compreensão deste tipo de literatura, propondo uma reflexão crítica sobre as continuidades e rupturas que definem o discurso diaspórico numa era globalizada. A iniciativa responde à necessidade de destacar novas perspectivas, indo além de interpretações essencialistas e eurocêntricas e promovendo um diálogo multidisciplinar que abranja história, sociologia, geografia e crítica literária. Convidamos pesquisadores, professores e estudantes a submeter propostas de artigos que se alinhem aos seguintes eixos temáticos:
1. O Legado Silenciado: Autores da Diáspora (Mahjar) e Recuperação Histórica
A literatura da diáspora árabe foi um pilar seminal do Renascimento Árabe, mas, historicamente, as vozes femininas foram marginalizadas e seus papéis no movimento ignorados. Esta seção acolhe propostas que investiguem a vida e a obra de autoras pioneiras de Adab al Mahjar, como Salwà Salāma'Aṭlas e Salmà Sā'ig, cujas contribuições para a produção cultural têm sido sistematicamente negligenciadas. Esta seção busca artigos que analisem a representação da subjetividade feminina na literatura diaspórica, desafiando os cânones patriarcais e preenchendo lacunas na historiografia literária.
2. A literatura como cartografia do conflito e do exílio
Conflitos geopolíticos e suas consequências, como a Guerra do Líbano e o êxodo palestino, são temas centrais na literatura contemporânea, com autores explorando as complexidades da perda, do pertencimento e da memória. Esse foco convida à análise de obras que narram traumas, memória fragmentada e a busca por identidade no contexto da guerra e do exílio, com destaque para autores como Elias Khoury e Hassan Blasim, cuja escrita utiliza recursos experimentais como o surrealismo e o grotesco para transmitir a experiência da violência e da migração.
3. Gênero e discurso feminista: desconstruindo estereótipos
A representação feminina na literatura árabe desmistifica a visão ocidental homogênea, revelando figuras de força e autonomia. Esta seção busca artigos que abordem a crítica social e feminista em obras de autoras como Fatema, Mernisse, Ahlem Mosteghanemi e Hoda Barakat, analisando como elas exploram temas como opressão, o corpo feminino, a luta por direitos e a resistência a regimes totalitários e ao fundamentalismo.
4. A Primavera Árabe e a Literatura de Testemunho
Como as revoltas de 2011 remodelaram o cenário literário? Esta seção incentiva a análise de obras que anteciparam e refletiram diretamente as revoluções. Propõe uma discussão sobre como a literatura funcionou como forma de resistência, crítica e testemunho de transformações sociais e políticas, abordando o papel de autores como Ahmed Khaled Tawfik e Alaá Al Aswany, cujas obras capturaram o clima pré-revolucionário e o espírito da Praça Tahrir.
5. Traduções, Redes e Circulação no Espaço Lusófono
A recepção da literatura árabe no Brasil e em outros países de língua portuguesa é um campo de pesquisa em expansão. A área acolhe trabalhos que investiguem as redes editoriais e de tradução, o papel da academia e a presença de autores de ascendência árabe no cânone literário brasileiro, como Milton Hatoum, bem como análises sobre como eventos geopolíticos influenciam a circulação de obras e a construção da imagem do "Outro" oriental no imaginário lusófono.
O edital também busca abordar temas, mas não se restringe a:
. Aculturação e crise de identidade
. Metamorfose e perda de identidade
. Além das fronteiras
. A construção de um Estado-nação
. Hibridismo e Aculturação
. Alienação e deslocamento
. A busca pela identidade
É importante observar que o comitê do programa aceita artigos de uma ampla variedade de perspectivas interdisciplinares e teóricas, e as submissões são organizadas nos fluxos e subfluxos listados abaixo:
. Artes
. Humanidades
. Ciências sociais
. Estudos culturais