Entre o felino e o feminino: a crítica alegórica em A confissão da leoa, de Mia Couto
DOI:
https://doi.org/10.22481/folio.v17i1.18994Palavras-chave:
Mia Couto, Esclarecimento, Estatuto Colonial, Alegoria, Tirania, MulheresResumo
Este artigo tem em perspectiva dois objetivos concomitantes. Primeiramente, analisar a figura felina em A confissão da leoa (2012), de Mia Couto, como alegoria para a condição social das mulheres moçambicanas. Busca-se mostrar como o autor pôde, por meio de sua narrativa ficcional, dar voz a diversos impasses sociais vividos por mulheres africanas sob o signo da tirania masculina; e, para tanto, defende uma possível interpretação para os ataques felinos apresentados no seu livro. Paralelamente, em interlocução com as categorias de esclarecimento de Adorno e Horkeheimer (1947), de alegoria de Frederic Jameson em O inconsciente político (1992), de modernidade, elaborada por Enrique Dussel (1993) e de cosmopercepção, pensada por Ouèrónké Oyêwùm (2021), propõe-se uma leitura dos seguintes eixos interpretativos da narrativa – o literal-moral e o alegórico-anagógico – para, a contrapelo do próprio romance, defender que a violência perpetrada às moçambicanas sobrepuja as fronteiras nacionais de Moçambique, sendo premente flagrá-la sob a óptica do estatuto colonial e de novas formas de colonialidade sob o signo do capital.
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Referências
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