Dramaturgias da precariedade e a biopotência cüíer: confrontando a necropolítica algorítmica em plataformas digitais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/folio.v17i1.19093

Palavras-chave:

Dramaturgia da precariedade, Necropolítica algorítmica, Videoperformance, Corpos dissidentes, Pedagogia das artes cênicas, Biopotência queer/cuier

Resumo

Este artigo propõe uma análise sociocultural do conceito de Dramaturgia da Precariedade enquanto resposta estética e pedagógica à Necropolítica Algorítmica. Inscrevendo-se no estado da arte dos estudos cênicos digitais e das epistemologias decoloniais, a pesquisa fundamenta-se na literatura de base sobre a necropolítica (Mbembe, 2018), performatividade da precariedade (Butler, 2018, 2020, 2020ª), circuito dos afetos (Safatle, 2018), necropolítica algorítimica (Silva, 2022). Metodologicamente, trata-se de um estudo qualitativo e exploratório que adota o procedimento analítico-descritivo de objetos hipermidiáticos. Dessa forma, investigamos como corpos cüíers e periféricos, historicamente alvo de políticas de morte do Estado, transformam a escassez material e a invisibilidade digital (operada por sistemas de filtragem e censura algorítmica) em Biopotência e estratégia de sobrevivência. Através da criação de videoperformances em plataformas digitais, essas pessoas artistas acionam um modo de antropofagia cultural e de Devir que desafia o cânone hegemônico e a lógica de consumo do capitalismo digital. A pesquisa culmina na proposição de uma pedagogia da Biopotência estruturada em seis eixos curriculares, com o objetivo de pensar outras vias para o ensino das Artes Cênicas, validando o conhecimento experiencial dos lugares e a pulsão imaginativa como projetos políticos de (re)existência no Sul Global. Ressalta-se que o entendimento e a sistematização destes eixos foram delimitados no âmbito do projeto de pesquisa “Rastros do movimento, corpo e deslocamentos de gênero e sexualidades em obras artísticas cênicas e audiovisuais”, em desenvolvimento desde maio de 2025 na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

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Biografia do Autor

Aroldo Santos Fernandes Júnior, Southwest Bahia State University

Doutor e Mestre em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas PPGAC/UFBA. Pesquisa Teorias da Performance, questões de gênero e sexualidade, dança e tecnologia e cultura visual . Possui Bacharelado no curso de Dançarino Profissional e Licenciatura em Dança pela Universidade Federal da Bahia. Atualmente é professor Adjunto da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, no Departamento de Ciências Humanas e Letras, onde ministra para o curso de Licenciatura em Dança disciplinas relacionadas com a criação coreográfica e técnicas corporais. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade - PPGREC/ UESB. Foi professor substituto do Departamento de Teoria e Criação Coreográfica da Escola de Dança da UFBA ministrando disciplinas de Processo Criativo, Prática Solística e Teoria da Dança. É membro fundador e diretor artístico do HIS - Contemporâneo de dança. Fundador do grupo Via Corpo Dance Research na Paradise Valley Community College. Coreografou para Desert Dance Theater(EUA), Flux Dance Project (EUA), Phoenix Experimental Arts Festival (EUA), Dance in the Desert Festival (EUA),Oficina Nacional de Dança Contemporânea (BRA), Mercado Cultural Latino Americano(BRA).Trabalhou como dançarino da Sapphire Moon Dance Company em South Carolina - EUA, Desert Dance Theater - Arizona, EUA e Ann Ludwig Dance Company - Arizona, EUA. Atualmente coordena o Grupo de Ações Performativas - Motus/GAP-M  e coordenou o  GPNEC - Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos do Corpo no período de 2024-2025. Publicou o livro "Biscoitos Caseiros: Camp, Solidão e Homofobia na Internet" pela Editora Appris, 2015.

Antonia Pereira Bezerra, Universidade Federal da Bahia

Atriz e dramaturga, graduada em Licenciatura em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (1992); Mestre (DEA) em Litterature Française pela Université de Toulouse II, Le Mirail (1994); Doutora em Lettres Modernes pela Université de Toulouse II, Le Mirail (1999) com Pós-Doutorado em Dramaturgia pela Université du Québec à Montréal-UQAM (2006). Coordenou a Área de Artes/Música na CAPES de abril de 2011 a abril de 2018. Atualmente é Representante da área de Artes Cênicas no Comitê Assessor do CNPq e Coordenadora da Área Ciências e Humanidades para Educação Básica, na CAPES; Professora Titular da Universidade Federal da Bahia; lidera o Grupo de Estudos em Teatro do Oprimido e participa do DRAMATIS - Grupo de Pesquisa sobre Dramaturgia e novas mídias.

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Publicado

31.07.2026

Como Citar

FERNANDES JÚNIOR, Aroldo Santos; BEZERRA, Antonia Pereira. Dramaturgias da precariedade e a biopotência cüíer: confrontando a necropolítica algorítmica em plataformas digitais. fólio - revista de letras, [S. l.], v. 17, n. 1, p. 125–146, 2026. DOI: 10.22481/folio.v17i1.19093. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/folio/article/view/19093. Acesso em: 6 ago. 2026.

Edição

Seção

DOSSIÊ: Arte, Literatura, Discurso - Narrativas em Alteridade