A ancestralidade na poética de Ivanildes Moura
DOI:
https://doi.org/10.22481/folio.v15i1.12692Palavras-chave:
Ancestralidade, Literatura feminina, Literatura infantil, RepresentaçãoResumo
Historicamente, a literatura brasileira se debruçou, majoritariamente, nas obras consideradas clássicas, o que compõe o chamado cânone literário. Estruturas de poder dentro da sociedade patriarcal determinam quais obras são consideradas clássicas, baseando-se em critérios sexistas e racistas. Isso frequentemente marginaliza outras obras que não se encaixam nos moldes de autoridade estabelecidos. Ao traçar o caminho distinto, este artigo pretende trazer à tona a escrita negra, feminina e engajada através da narrativa Azire, a princesinha de Aruanda (2014), da escritora jequieense Ivanildes Moura, a fim de contribuir na construção de perspectiva decolonial acerca da representação negra nos livros infantis, com base nas temáticas recorrentes do livro da autora em questão. Através da literatura infantil Moura incorpora na sua obra elementos da ancestralidade africana, empoderamento feminino e autoestima negra, construindo, então, uma contranarrativa acerca da realidade desses sujeitos. Refletir acerca da memória ancestral e a construção da identidade de um povo é um processo necessário para a percepção de existência de outros caminhos e possibilidades para recontar a história. Azire, a princesinha de Aruanda, e Ivanildes Moura convidam os leitores a refletir e a construir uma visão que tenha como objetivo a emancipação e o empoderamento do povo negro, especialmente das crianças. Agência de fomento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia.
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