VIOLÊNCIA E HOMOSSEXUALIDADE NA AUTOFICÇÃO CONTEMPORÂNEA: A RECEPÇÃO DO CASO EDOUARD LOUIS

Autores

  • Willian Vieira

DOI:

https://doi.org/10.22481/folio.v9i1.3250

Resumo

Propõe-se pensar a autoficção a partir da recepção de Histoire de la violence, romance em que o escritor Edouard Louis relata um estupro sofrido por ele. Após a publicação, o autor foi processado por atentado à vida privada pelo próprio estuprador. Ao expor seu trauma de forma literária, mas mantendo-se fiel à história (incluindo os nomes reais), Louis não só causou a fúria de uma pessoa real, algo típico da autoficção na França, como trouxe à tona a violência silenciosa sofrida por homossexuais, inclusive quando decidem denunciá-la. E o fez em um livro carregado de análise sociológica, como já fizera em En finir avec Eddy Bellegueulle. Ambos nada lembram certa queer literature de cunho “maldito”, de Genet a Dustan. Em Louis, a provocação não está no estilo, mas na suposta veracidade do relato. A partir da recepção, sobretudo na imprensa, tenta-se delinear a maneira como a violência contra o homossexual (estética e eticamente) é recebida quando denunciada sob a égide da autoficção.

 

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Biografia do Autor

Willian Vieira

Doutorando em Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês da Universidade de São Paulo (Usp).

   

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Publicado

27.03.2018

Como Citar

VIEIRA, Willian. VIOLÊNCIA E HOMOSSEXUALIDADE NA AUTOFICÇÃO CONTEMPORÂNEA: A RECEPÇÃO DO CASO EDOUARD LOUIS. fólio - revista de letras, [S. l.], v. 9, n. 1, 2018. DOI: 10.22481/folio.v9i1.3250. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/folio/article/view/3250. Acesso em: 22 maio. 2026.

Edição

Seção

interfaces: estudos de teoria e literatura