O vórtice amazônico de Euclides da Cunha

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.22481/folio.v16i1.18176

Palabras clave:

Euclides da Cunha, Gênese, Imagem, Vórtice, Literatura Brasileira

Resumen

Em O Brasil não é longe daqui: o narrador, a viagem (1990), Flora Süssekind estuda relatos do século XIX marcados pela obsessão de instaurar a historiografia literária da nação por meio da cor local, ou seja, de uma das linhas mestras do nacionalismo. Por sua vez, Euclides da Cunha se distanciaria desses narradores, assim como dos viajantes naturalistas, revelando o propósito de desvincular a paisagem de sua visualidade em Paraíso perdido, livro que permaneceu incompleto. Discutiremos como, em À margem da história (1909), parte do volume mencionado, Euclides da Cunha (1866-1909) apresenta uma versão da Amazônia que contesta a ciência naturalista (de Wallace e de Humboldt, por exemplo). Isso porque Cunha revela uma perspectiva da floresta como um vórtice, o qual suscitaria a devoração prolongada da matéria (do mundo vegetal e animal e do homem), comum a escritores como Alberto Rangel e Eustasio Rivera (Bernucci, 2017). Ao conceber homem e terra como ausências que se constituem pela lógica da aparição, da sobrevida do original e como espectros (o cadáver da amauhaca), o autor antecipa debates contemporâneos acerca da presença-ausência do indígena na cultura brasileira, o que se daria como o atravessamento de uma figuração liminar, a de uma origem sempre ausente (Finazzi-Agrò, 2016).

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Citas

Bergson H. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. 4. ed. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Martins Fontes; 2010.

Bernucci LM. Paraíso suspeito: a voragem amazônica. Tradução de Geraldo Gerson de Souza. São Paulo: USP; 2017.

Cunha E. Um paraíso perdido: reunião de ensaios amazônicos. Brasília: Senado Federal; 2000.

Cunha E. Prefácio. In: Rangel A. Inferno verde: cenas e cenários do Amazonas. 4. ed. Brasília: Projeto E-Livros; 2017. [E-book].

Cunha E. Ensaios e inéditos. Organização de Leopoldo M. Bernucci e Felipe Pereira Rissato. São Paulo: Unesp; 2018.

Cunha E. Os sertões. Edição crítica e organização de Walnice Nogueira Galvão. São Paulo: SESC/Ubu; 2016.

Aulete Digital. Exterritorialidade. 2025. Disponível em: https://www.aulete.com.br/exterritorialidade.

Finazzi-Agrò E. Entretempos: mapeando a história da cultura brasileira. São Paulo: Unesp Digital; 2016. [E-book].

Finazzi-Agrò E. Geografias da memória: a literatura brasileira entre história e genealogia. Anos 90. 1999; (2): 7-16.

Finazzi-Agrò E. O princípio em ausência: o lugar pré-liminar do índio na cultura brasileira. Scripta. 2001; 4(8): 21-31.

Galvão WN. Walnice Nogueira Galvão. In: Cunha E. Os sertões. Edição crítica. São Paulo: SESC/Ubu; 2016.

Hardman FF. A vingança da Hileia: Euclides da Cunha, a Amazônia e a literatura moderna. São Paulo: Unesp; 2009.

Hecht SB. The Scramble for the Amazon and the Lost Paradise of Euclides da Cunha. Chicago: University of Chicago Press; 2013.

Latour B. Diante de Gaia: oito conferências sobre a natureza no Antropoceno. Tradução de Maryalua de Souza Mayer. São Paulo: Ubu/Ateliê de Humanidades; 2020.

Moraes AMR. Contornos humanos: primitivos, rústicos e civilizados em Antonio Candido. Recife: Cepe; 2023.

Nascimento JL. Euclides da Cunha e a estética do cientificismo. São Paulo: Unesp; 2011.

Pizarro A. Amazônia: as vozes do rio: imaginário e modernização. Tradução de Rômulo Monte Alto. Belo Horizonte: UFMG; 2012.

Rangel A. Inferno verde: cenas e cenários do Amazonas. Prefácio de Euclides da Cunha. 4. ed. Brasília: Projeto E-Livros; 2017. [E-book].

Santiago S. Destinos de uma carta. In: Santiago S. Ora (direis) puxar conversa!. Belo Horizonte: UFMG; 2006. p. 229-246.

Souza M. História da Amazônia: do período pré-colombiano aos desafios do século XXI. 4. ed. Rio de Janeiro: Record; 2023.

Süssekind F. O Brasil não é longe daqui: o narrador, a viagem. São Paulo: Companhia das Letras; 1990.

Süssekind F. Cenas de fundação. In: Süssekind F. Coros, contrários, massa. Recife: Cepe; 2022.

Vieira P. Phytofables: Tales of the Amazon. J Lusoph Stud. 2016; 2(1): 116-134.

Volker CB. Uma superfície líquida, barrenta e lisa: a paisagem amazônica em Euclides da Cunha e Constant Tastevin [tese]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina; 2017.

Publicado

2025-10-31

Cómo citar

MATA, Larissa Costa da. O vórtice amazônico de Euclides da Cunha. fólio - revista de letras, [S. l.], v. 16, n. 1, p. 89–108, 2025. DOI: 10.22481/folio.v16i1.18176. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/folio/article/view/18176. Acesso em: 20 may. 2026.

Número

Sección

DOSSIER