LACUNAS DE UMA HISTÓRIA MANCHADA: O DIÁLOGO DE “A MANCHA” COM O LEITOR
Mots-clés :
“A mancha”, História, Luis Fernando Verissimo, Mimese, RecepçãoRésumé
Analisa-se, neste artigo, o conto “A mancha”, escrito por Luis Fernando Verissimo (2004), buscando compreender os recursos empregados pelo autor para proceder à representação do real e instalar a literariedade do texto, que se dá por meio do entrecruzamento entre história e ficção. As bases teóricas da análise fundamentam-se nos conceitos de mimese e verossimilhança de Aristóteles (2008) e de Paul Ricoeur (1997) e na concepção de texto como jogo de Wolfgang Iser (2002). Conclui-se que, ao articular o passado e o presente de uma personagem, tendo como foco a ditadura civil-militar brasileira, a narrativa de Verissimo (2004) tensiona os sentidos de “lembrar” e “esquecer”. Esse movimento é realizado pelo contraponto das vozes do narrador, do protagonista e das demais personagens que com ele contracenam, o que exige a participação ativa do leitor na reconstituição de um período da história brasileira manchado de sangue.
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Références
Aristóteles. Poética. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian; 2008.
Candido A, et al. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva; 1968.
Costa LM. A Poética de Aristóteles: mímese e verossimilhança. São Paulo: Ática; 1992.
Forster EM. As pessoas. In: Forster EM. Aspectos do romance. 2. ed. Porto Alegre: Globo; 1974. p. 33-66.
Iser W. O jogo do texto. In: Lima LC (Org.). A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. São Paulo: Paz e Terra; 2002. p. 105-118.
Reis C. O conhecimento da literatura: introdução aos estudos literários. Porto Alegre: EDIPUCRS; 2003.
Ricoeur P. O entrecruzamento da História e da ficção. In: Ricoeur P. Tempo e narrativa. Campinas: Papirus; 1997. v. 3.
Verissimo LF. A mancha. São Paulo: Companhia das Letras; 2004.
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