AS SOBREVIVÊNCIAS DOS SIGNOS, A MEMÓRIA INVOLUNTÁRIA DO ESTRANGEIRO E O ESPAÇO URBANO EM RUÍNAS
AS REPRESENTAÇÕES DOS SIGNOS DE MUNDANIDADE, AMOR, DE QUALIDADES SENSÍVEIS E ARTE EM MILTON HATOUM
DOI :
https://doi.org/10.22481/folio.v11i1.4791Mots-clés :
Signos; Sintomas; Fantasmas; Memória; Amazonas.Résumé
Este artigo tem a intenção de refletir sobre a qualidade e a pluralidade dos signos emitidos nos quatro primeiros romances de Milton Hatoum, Relato de um certo Oriente (2014), Dois irmãos, (2007), Órfãos do eldorado, (2008), Cinzas do Norte. (2012). Partindo dos pressupostos teóricos de Gilles Deleuze e Félix Guattari sobre os modos de interpretação dos signos de memória: os signos de amor, sensíveis, mundanidade e de arte, este último, responsável por reunir as outras formas de signos. O objetivo é tentar evidenciar de que modo as modulações de produção de intensidade e individuação não segmentadas em binarismos possibilitam entender que na obra do escritor amazonense o tema não é a memória, mas as sobrevivências das imagens traumáticas, os sintomas da violência, os fantasmas e as sobrevivências de signos. Os signos de amor, por exemplo, além de ligarem-se aos signos de arte, nos permite-se interpretar como sobrevivem os amores incestuosos, tema recorrente em Milton Hatoum. Enfim, estas novas formas de individuação e produção de subjetividades não retornam, no complexo jogo de ruínas na forma de memória, mas sim, segundo assevera Gilles Deleuze, em práticas de produção de signos que afetam e se deixam afetar por outras subjetividades plurais. O resultado é que a apreensão desses signos nos romances de Milton Hatoum não podem ir além daquilo que se encerra dentro dos próprios signos que se repetem, repelem-se e dialogam entre si incessantemente.
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