Narrativas de universitárias negras sobre acesso e permanência: o impacto das ações afirmativas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/odeere.v10i2.17293

Palavras-chave:

Ensino superior, Universitárias negras, Narrativas de vida, Ações afirmativas

Resumo

O presente estudo teve como objetivo analisar como as ações afirmativas impactam os processos de acesso e permanência no ensino superior, sob a ótica das narrativas de universitárias negras. Pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamentada no referencial da Narrativa de Vida, com base em entrevistas realizadas com 13 estudantes autodeclaradas pretas, matriculadas em cursos da saúde de uma universidade pública baiana. Para este recorte, foram selecionadas apenas as participantes que declararam ingresso por cotas e/ou vínculo com programas de assistência estudantil. Os resultados evidenciaram que as ações afirmativas foram reconhecidas como instrumentos de reparação histórica e transformação social, embora ainda gerem inseguranças quanto ao preconceito e à desigualdade de condições entre cotistas e não cotistas. A assistência estudantil foi apontada como essencial para garantir a permanência acadêmica, diante das dificuldades financeiras enfrentadas. Auxílios para moradia, alimentação e materiais didáticos foram destacados como determinantes na continuidade do curso. Conclui-se que o ingresso não é suficiente sem políticas robustas de permanência, que considerem as múltiplas vulnerabilidades enfrentadas pelas estudantes negras. Apesar das contribuições, destaca-se como limitação a restrição da amostra a cursos da saúde em uma única instituição, sendo necessário ampliar os estudos para outros contextos universitários e áreas do conhecimento.

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Biografias Autor

Sara de Jesus Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Enfermeira. Mestranda em Ciência da Saúde, pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, campus Jequié-Bahia. Membro colaboradora do Grupo de Pesquisa Violência, Saúde e Cultura de Paz (UESB/CNPQ). E-mail: sr_sr2@hotmail.com

Maryvânsley Nunes de Sá Reis, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Mestranda em Ciência da Saúde, pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, campus Jequié-Bahia. Membro colaboradora do Grupo de Pesquisa Violência, Saúde e Cultura de Paz (UESB/CNPQ). E-mail: dreamy.mar@gmail.com

Muryllo de Oliveira Costa, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Enfermeiro. Mestrando em Ciência da Saúde, pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, campus Jequié-Bahia. E-mail: murylloocosta@gmail.com

Leison de Jesus Ferreira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Enfermeiro, graduado pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, campus Jequié-Bahia. E-mail: ferreiraleison3@gmail.com

Aline Vieira Simões, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Enfermeira. Doutora em Enfermagem, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora Adjunto do Curso de Graduação em Enfermagem e Docente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde (PPGES) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). E-mail: avsimoes@uesb.edu.br

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Publicado

2025-12-23

Como Citar

SANTOS, Sara de Jesus; REIS, Maryvânsley Nunes de Sá; COSTA, Muryllo de Oliveira; FERREIRA, Leison de Jesus; SIMÕES, Aline Vieira. Narrativas de universitárias negras sobre acesso e permanência: o impacto das ações afirmativas. ODEERE: Revista Internacional de Relações Étnicas, Bahia, Brasil, v. 10, n. 2, p. 105–122, 2025. DOI: 10.22481/odeere.v10i2.17293. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/odeere/article/view/17293. Acesso em: 22 mai. 2026.