Os paradoxos do acolhimento aos estudantes moçambicanos como outsiders além-mar: identidades, línguas e situações sociais
DOI:
https://doi.org/10.22481/odeere.v10i2.18227Palavras-chave:
Instituto Politécnico de Bragança; Internacionalização da Educação.Resumo
O estudo tem como propósito analisar sociologicamente situações sociais de estudantes moçambicanos como outsiders no âmbito da política de internacionalização da educação e sua relação com os discursos da unidade lusófona. O foco analítico central da nossa pesquisa são os alunos moçambicanos e santomenses que imigram para Portugal, sua ex-colônia, em busca de consolidar uma formação acadêmica. Para tanto, se faz necessário compreender um conjunto de fatores correlacionados, tais como identidades, línguas, posição política para empreender hipóteses que possam rastrear o perfil desses alunos e estabelecer diálogos que nos possibilitem obter visões múltiplas. Para coleta de informações, recorremos às principais metodologias e ferramentas das ciências humanas, tais como participação direta, elaboração de mapas de trajetórias, genealogias de parentesco, assim como utilizamos informações coletadas durante minha estada como professor visitante do IPB, no sentido de alinhar dados quantitativos e qualitativos. Nossas hipóteses partilham para orientações que vislumbrem casos distintos para situações similares na perspectiva de descolonizar a política de internacionalização da educação nos países ibéricos, sobretudo, Espanha e Portugal. Nesse sentido, almejamos compreender os paradoxos vivenciados e apresentados pelos alunos moçambicanos na dinâmica interconectada das identidades, das línguas e das situações sociais.
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