“E o salário, ó!”: o “Mais Professores” e o discurso de naturalização da docência como sofrimento
DOI:
https://doi.org/10.22481/praxisedu.v22i53.17662Palavras-chave:
políticas públicas em educação, magistério, análise de discursoResumo
O texto objetiva analisar a relação entre o Programa Mais Professores para o Brasil e os discursos de naturalização da docência como um ofício de sofrimento, mendicância e benevolência. Trata-se de uma pesquisa documental realizada à luz da Análise do Discurso filiada a Michel Pêcheux, tomando como corpus a documentação do referido Programa e enunciados que tratam os(as) docentes como coitadinhos(as) por suportarem um trabalho oneroso sem o devido reconhecimento social. Ao longo do texto, demonstra-se uma sintonia entre os discursos analisados e as medidas anunciadas pelo governo brasileiro no Programa Mais Professores para o Brasil ao esperar que as pessoas sejam atraídas e/ou permaneçam na docência mais por seu valor simbólico do que pelo retorno social e financeiro dessa atividade como profissão. Por fim, conclui-se que, ao não priorizar o enfrentamento das demandas materiais que circundam o magistério como exercício profissional, o Mais Professores acaba fazendo coro ao discurso de naturalização da docência como ofício de sofressor.
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