O corpo autista diante da produção do comum: por uma biopolítica da potência
DOI:
https://doi.org/10.22481/praxisedu.v22i53.19079Palavras-chave:
autismo, biopolítica, comum, corpo, primavera autistaResumo
O presente ensaio propõe refletir sobre o corpo autista no contexto biopolítico contemporâneo, questionando os efeitos normativos que o reduzem à condição de anomalia. Com base em autores como Negri, Hardt, Deleuze e Spinoza, analisa-se como o corpo autista é atravessado por dispositivos de normalização, mas também como ele expressa uma potência irredutível ao biopoder. A investigação articula o conceito de comum como produção imanente da vida, deslocando a visão do autismo, enquanto transtorno, da falta para a criação de modos singulares de existência. Tornando-o capaz, portanto, de uma potência política que tensiona e amplia os limites do que entendemos por vida comum, a partir de uma compreensão de espectro que referenda a enunciação da Primavera Autista.
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