Potencialidades metodológicas da autoscopia na pesquisa com crianças em contexto escolar
DOI:
https://doi.org/10.22481/reed.v6i13.18513Palavras-chave:
Autoavaliação, Autoscopia, Crianças, Educação, SubjetividadeResumo
O trabalho analisou as potencialidades metodológicas da autoscopia na pesquisa com crianças em contexto escolar. A pesquisa, pautada nas diretrizes epistemológicas da investigação qualitativa foi realizada em uma escola pública que atende crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Os participantes foram quatro crianças que apresentavam dificuldades de aprendizagem na leitura e escrita e sua respectiva professora. Os instrumentos, vídeogravação e autoscopia, viabilizaram a investigação das ações de violência psicológica da professora na relação com as crianças, bem como a análise microgenética das situações vivenciadas nessa relação e a autoavaliação realizada pelas próprias crianças. A análise microgenética das falas das crianças, durante a autoscopia, viabilizou a identificação de categorias para classificação das ações de violência psicológica: agressão verbal (xingamentos, gritos); agressão física (colocar na carteira, fazer sentar, empurrar); indiferença (não olhar a tarefa) e rejeição (falta de atenção em comparação com os colegas). Os resultados evidenciaram aspectos significativos para o uso da autoscopia na pesquisa com crianças: a) duração das sessões, b) falar sobre o outro, c) falar sobre si, d) aplicação sem uso de outros recursos metodológicos, e) condição da criança como autora. O uso da autoscopia possibilitou, à própria criança, expressar-se a respeito das situações vivenciadas na relação professor-aluno e a produção de elementos/indícios que viabilizaram a compreensão do impacto dessa vivência nas formas de ver o outro. Considera-se que uma das contribuições desta pesquisa foi demonstrar que a autoscopia pode ser um recurso metodológico eficiente para trabalhar com crianças em contexto educacional.
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