Da exclusão curricular à ação libertadora: práticas freireanas e decoloniais no ensino de Espanhol pós-BNCC
DOI:
https://doi.org/10.22481/folio.v16i2.18356Palavras-chave:
BNCC, Ensino de espanhol, Decolonialismo, Pedagogia libertadora, Ferramenta-e-resultadoResumo
Este artigo analisa a exclusão do espanhol do currículo obrigatório da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Médio, interpretando-a não como um mero ajuste técnico, mas como um sintoma da colonialidade do saber e do poder que estrutura o currículo nacional. Partindo dessa premissa, o estudo articula os pressupostos da pedagogia libertadora de Paulo Freire com a perspectiva decolonial e o conceito vygotskyano de ferramenta-e-resultado para construir um quadro teórico-prático de resistência. O objetivo central é esboçar os fundamentos de uma práxis pedagógica que transforme o cenário de exclusão em um ponto de partida para um ensino de espanhol crítico, emancipatório e comprometido com o diálogo com a América Latina, a partir da descrição de um capítulo de um material didático de espanhol para o ensino médio, aprovado no PNLD 2026. Conclui-se que a reinvenção da disciplina passa necessariamente por uma opção decolonial que conteste as hierarquias linguísticas e epistemológicas, reposicionando o espanhol como uma ferramenta de leitura de mundo e de ação transformadora.
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