Resistência docente em tempos de plataformização da educação básica: uma análise discursivo-crítica de tecnodiscursos sindicais
DOI:
https://doi.org/10.22481/folio.v17i1.18470Palavras-chave:
Tecnodiscursos sindicais, Plataformização da educação, Análise de Discurso Crítica, Resistência docente, Precarização do trabalho, Governança algorítmicaResumo
O artigo analisou tecnodiscursos sindicais sobre a plataformização da educação pública, tomando como corpus duas reportagens digitais produzidas por entidades representativas de trabalhadores da educação, vinculadas ao Sintep/MT e ao APP-Sindicato/PR. Esses textos, caracterizados como tecnogêneros jornalístico-digitais (Paveau, 2017), discutem os impactos das plataformas no trabalho docente, denunciando adoecimento, sobrecarga, perda de autonomia e imposição tecnológica por parte das secretarias estaduais de educação. O estudo investiga como os sindicatos constroem discursivamente resistência à plataformização e quais representações produzem sobre docentes, gestão e tecnologias. O objetivo central foi analisar as estratégias discursivas mobilizadas pelas entidades na denúncia da coerção tecnológica e na defesa de sentidos ético-pedagógicos alternativos. A investigação fundamentou-se na Análise de Discurso Crítica (Magalhães, 2010), que compreende identidades como construções processuais intensificadas pelo ambiente digital. Os resultados evidenciaram representações que vitimizam professores, criticam práticas gerenciais e revelam silenciamento e subalternização (Spivak, 2010) diante da ausência de participação docente nas decisões tecnológicas. Identificaram-se também estratégias de legitimação e deslegitimação (van Leeuwen, 2008; Wodak, 2009) e polarizações discursivas (van Dijk, 2008; 2011). Os tecnodiscursos sindicais configuram-se como um campo organizado de luta, no qual autonomia docente, participação democrática e defesa do diálogo se contrapõem à racionalidade tecnogerencial.
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