Infamiliar, gozo lacaniano e máscaras sociais: o feminino em "El vestido de terciopelo", de Silvina Ocampo
DOI:
https://doi.org/10.22481/folio.v17i1.19316Palavras-chave:
Silvina Ocampo, Insólito, Gozo Feminino, Das Unheimliche, Nomeação e classe socialResumo
Este artigo analisa o conto "El vestido de terciopelo", da escritora argentina Silvina Ocampo (1903–1993), a partir de uma perspectiva interseccional que articula a teoria psicanalítica — notadamente os conceitos freudianos de infamiliar (Das Unheimliche) e de recalcado, bem como as elaborações lacanianas sobre gozo, objeto a e significante fálico — com uma leitura crítica das representações de gênero e de classe social. Partindo da análise das personagens femininas hierarquizadas pela nomeação, argumenta-se que o vestido de veludo funciona como operador narrativo do insólito e como metáfora do falo: objeto de desejo que ao mesmo tempo seduz, interdita e aniquila. A morte da protagonista burguesa Cornelia Catalpina, sufocada pelo próprio vestido que buscava encarnar, é lida como alegoria da violência simbólica exercida sobre as mulheres pelos ideais de beleza, pureza e juventude impostos pela ordem patriarcal. O olhar infantil da narradora, encarnado no bordão irônico "¡Qué risa!", desnaturaliza a tragédia e revela o caráter banal e cotidiano da opressão de gênero. Conclui-se que o insólito em Ocampo não é recurso meramente estilístico, mas via crítica que desnuda as máscaras sociais e os custos subjetivos da feminilidade normativa.
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