Decolonialidade, Educação Linguística Crítica e Resistência: uma análise da BNCC a partir das propostas formativas do Projeto Brincadas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/folio.v16i2.18351

Palavras-chave:

Decolonialidade, Educação Linguística Crítica, Multiletramento Engajado, Pretuguês, Projeto Brincadas

Resumo

Em um país marcado por desigualdades sociais, raciais e de gênero, políticas educacionais como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tendem a reforçar hierarquias epistêmicas e a limitar o reconhecimento de saberes plurais. Este artigo analisa criticamente a BNCC a partir da Linguística Aplicada Crítica, tomando o Projeto Brincadas como estudo de caso para compreender como práticas formativas podem tensionar a matriz (neo)colonial de poder que estrutura o currículo. O objetivo é discutir de que modo o Projeto Brincadas auxilia na superação do sofrimento ético-político nos processos de ensino-aprendizagem. O estudo está fundamentado na Pesquisa Crítica de Colaboração e no Multiletramento Engajado, compreendido em suas três ações: imersão na realidade, construção crítica de generalizações e produção de mudança social. Os dados videogravados foram gerados em um encontro formativo realizado na Comunidade Cultural Quilombaque, em outubro de 2024, no qual participantes revisitaram injustiças vividas, dialogaram com saberes quilombolas e produziram performances multimodais. A análise evidencia que as atividades desenvolveram praxiologias decoloniais e práticas de desencapsulação curricular, permitindo a articulação de experiências cotidianas com conhecimentos ancestrais,  rompendo com ideologias linguísticas e educacionais presentes na BNCC, especialmente aquelas que opõem o ‘português bem falado’ ao ‘pretuguês’ como linguagem legítima de memória e resistência. Concluímos que o Projeto Brincadas, ao promover a reflexão crítico-colaborativa e o desenvolvimento da agência dos participantes, configura-se como um espaço de formação emancipatório que desencapsula o currículo, amplia a potência de agir e propicia condições para que os sujeitos criem inéditos-viáveis orientados à transformação de suas realidades.

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Biografia do Autor

Milena Carmona, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Doutoranda no Programa de Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL), com bolsa CAPES, e Mestre em Educação: Formação de Formadores (FORMEP), ambos pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui licenciatura plena em Letras português-inglês. Faz parte do Grupo de Estudos em Educação Bi/Multilíngue (GEEB) e do Grupo de Pesquisa Linguagem em Atividade no Contexto Escolar (GP-LACE/CNPq) da PUC-SP, atuando no Projeto de Extensão Brincadas: construindo coletivos de investigação e ação, sob orientação da Profa. Dra. Fernanda Liberali. Atualmente é coordenadora pedagógica na escola Avenues The World School em São Paulo.

Fernanda Coelho Liberali, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Pesquisadora e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no Departamento de Ciências da Linguagem e Filosofia, nos Programas de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, em Educação: Formação de Formadores e em Educação: Currículo. Possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrado e doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, pós-doutorado pela Universidade de Helsinki, pela Freie Universität Berlin e pela Rutger University e realizou estágio de pesquisa sênior na Universidade de Notre Dame/USA. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq; líder do GP/CNPq/PUC-SP Linguagem em Atividade no Contexto Escolar e do Grupo de Estudos em Educação Bi/multilíngue (GEEB).

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Publicado

31.12.2025

Como Citar

CARMONA, Milena; LIBERALI, Fernanda Coelho. Decolonialidade, Educação Linguística Crítica e Resistência: uma análise da BNCC a partir das propostas formativas do Projeto Brincadas. fólio - revista de letras, [S. l.], v. 16, n. 2, p. 21–48, 2025. DOI: 10.22481/folio.v16i2.18351. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/folio/article/view/18351. Acesso em: 28 maio. 2026.

Edição

Seção

DOSSIÊ