A linguagem da força, do heroísmo e do pertencimento: alteridade e construção discursiva do sertanejo em Os Sertões
DOI:
https://doi.org/10.22481/folio.v17i1.18902Palavras-chave:
Euclides da Cunha, Sertão, Imaginário nacional brasileiro, Metáfora conceitual, Análise lexical, EstilísticaResumo
Este artigo propõe uma análise linguística e estilística de Os Sertões, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, com o objetivo de investigar como as escolhas lexicais e as estruturas metafóricas contribuem para a construção da alteridade do sertanejo no imaginário nacional brasileiro. Partindo do pressuposto de que a linguagem não exerce função meramente descritiva, mas opera como dispositivo de produção de sentido, o estudo examina os mecanismos discursivos que configuram o sertanejo como figura simultaneamente marginal e constitutiva do projeto de nação. A análise organiza-se em torno de três eixos temáticos: (i) a linguagem da força, que associa o sertanejo às condições extremas do sertão; (ii) a linguagem do heroísmo, que o projeta em uma dimensão épica; (iii) a linguagem do pertencimento, que o integra à paisagem natural. Esses campos semânticos são interpretados como práticas de nomeação e classificação que produzem uma representação complexa do sertanejo, na qual o determinismo ambiental convive com um processo de mitificação literária. Nesse sentido, a alteridade se apresenta como construção discursiva estruturada pelo próprio funcionamento do léxico e pelas redes metafóricas que organizam o texto. Inserido no campo dos estudos literários e culturais, o trabalho adota uma perspectiva interdisciplinar que articula estilística, teoria da metáfora conceitual e análise lexical, buscando mostrar como a linguagem contribui para a consolidação de um modelo cultural de longa duradouro no imaginário nacional brasileiro.
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