A PRÁTICA DA TRADUÇÃO NOS PROCESSOS DE ENSINO/APRENDIZAGEM DE ILE E ILF: DEFINIÇÕES, DIFERENÇAS E POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS

Authors

  • Tatiany Pertel Sabaini Dalben Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc)
  • Sávio Siqueira Universidade Federal da Bahia (Ufba)

Abstract

O objetivo deste trabalho é, primeiramente, discutir o uso de dois termos que representam perspectivas diferentes acerca do ensino/aprendizagem da língua inglesa na contemporaneidade: “inglês como língua estrangeira” (ILE) e “inglês como língua franca” (ILF), com o auxílio teórico de autores como House (1999), Seidlhofer (2001, 2004, 2011), Graddol (2006), Jenkins (2006, 2007, 2011), Cogo e Dewey (2012), entre outros. Aliado a isso, na sequência, almeja-se a compreensão das consequências que o uso da tradução interlingual pode trazer para o processo de ensino/aprendizagem do idioma dentro das duas perspectivas delineadas, ou seja, ILE e ILF. Isso será feito, relacionando-se, por um lado, a perspectiva filosófica desconstrutivista da tradução como prática de (re)criação e “originalidade” (DERRIDA, 1967, 2011; ARROJO, 2002) à perspectiva do ILF como meio de comunicação. Por outro lado, a visão logocêntrica de tradução como transporte de signos e cópia do “original” será associada à perspectiva do ILE, a qual, sabidamente, ancora-se na busca pelo desempenho idêntico àquele do falante nativo. Será visto, portanto, que a adoção de diferentes perspectivas de ensino/aprendizagem da língua em pauta pode levar a consequências divergentes, tanto nas escolhas pedagógicas do tradutor quanto no desenvolvimento da competência comunicativa do aprendiz.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biographies

Tatiany Pertel Sabaini Dalben, Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc)

Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); doutoranda em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Professora assistente da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Sávio Siqueira, Universidade Federal da Bahia (Ufba)

Doutor em Letras e Linguística pela Ufba. Professor Adjunto IV do Departamento de Letras Germânicas do Instituto de Letras da Ufba.

References

Almeida Filho JCP de. Sobre competências de ensinar e de aprender línguas. In: Almeida Filho JCP de (Org.). Competências de aprendizes e professores de línguas. Campinas: Pontes; 2014.

Arrojo R. Desconstrução, psicanálise e o ensino de tradução. In: Arrojo R (Org.). Tradução, desconstrução e psicanálise. Rio de Janeiro: Imago; 1993. p. 132-150.

Arrojo R. Oficina de tradução: a teoria na prática. São Paulo: Ática; 2002.

Atkinson D. The mother tongue in the classroom: a neglected resource? ELT Journal. 1987; 41(4): 241-247.

Brutt-Grifler J. Conceptual questions in English as a world language. World Englishes. 1998; (17): 381-392.

Cogo A, Dewey M. Analyzing English as a lingua franca: a corpus-driven investigation. London: Continuum; 2012.

Cook G. Use of translation in language teaching. In: Baker M (Ed.). Routledge Encyclopedia of Translation Studies. London: Routledge; 1997.

Cook G. A thing of the future: translation in language learning. International Journal of Applied Linguistics. 2007; 17(3): 396-401.

Cook G. Translation in language teaching: an argument for reassessment. Oxford: Oxford University Press; 2010.

Coracini MJRF. Língua estrangeira e língua materna: uma questão de sujeito e identidade. In: Coracini MJRF (Org.). Identidade e discurso. Campinas: Editora da Unicamp; Chapecó: Argos; 2003. p. 139-160.

Costa WC. Tradução e ensino de línguas. In: Bohn HI, Vandressen P (Orgs.). Tópicos de linguística aplicada ao ensino de línguas estrangeiras. Florianópolis: Editora da UFSC; 1988. p. 282-291.

Crystal D. English as a global language. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press; 2003.

Derrida J. Gramatologia. Tradução de Miriam Schnaiderman e Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Perspectiva; 2011.

Derrida J. Torres de Babel. Tradução de Junia Barreto. Belo Horizonte: Editora UFMG; 2002.

Duff A. Translation. Oxford: Oxford University Press; 1989.

El Kadri MS, Gimenez T. Formando professores de inglês para o contexto do inglês como língua franca. Acta Scientiarum: Language and Culture. 2013; 35(2): 125-133.

Graddol D. The future of English? A guide to forecasting the popularity of the English language in the 21st century. London: British Council; 2000.

Graddol D. English Next: why global English may mean the end of “English as a Foreign Language”. London: British Council; 2006.

Grigoletto M. A desconstrução do signo e a ilusão da trama. In: Arrojo R (Org.). O signo desconstruído: implicações para a tradução, a leitura e o ensino. Campinas: Pontes; 2003. p. 31-34.

Harden ARO. The rules of the game: translation as a privileged learning resource. In: Witte A, Harden T, Harden ARO (Orgs.). Translation in second language learning and teaching. Bern: Peter Lang; 2008. p. 361-389.

House J. Misunderstanding in intercultural communication: interactions in English as a lingua franca and the myth of mutual intelligibility. In: Gnutzmann C (Ed.). Teaching and learning English as a global language. Tübingen: Stauffenburg; 1999. p. 73-89.

House J. English as a lingua franca and translation. The Interpreter and Translator Trainer. 2013; 7(2): 279-298.

Holliday A. The struggle to teach English as an international language. Oxford: Oxford University Press; 2005.

Howatt APR. A history of English language teaching. Oxford: Oxford University Press; 1984.

Jakobson R. Aspectos linguísticos da tradução. In: Jakobson R. Linguística e comunicação. Tradução de Izidoro Blikstein e José Paulo Paes. São Paulo: Cultrix; 1989.

Jenkins J. Points of view and blind spots: ELF and SLA. International Journal of Applied Linguistics. 2006; 16(2): 137-162.

Jenkins J. English as a lingua franca: attitude and identity. Oxford: Oxford University Press; 2007.

Jenkins J. (Un)Pleasant? (In)Correct? (Un)Intelligible? ELF speakers’ perceptions of their accents. In: Mauranen A, Ranta E (Eds.). English as a lingua franca: studies and findings. Newcastle: Cambridge Scholars Publishing; 2009.

Jenkins J. Accommodating (to) ELF in the international university. Journal of Pragmatics. 2011; 43(4): 926-936.

Jenkins J, Cogo A, Dewey M. Review of developments in research into English as a lingua franca. Language Teaching. 2011; 44(3): 281-315.

Kachru BB. Standards, codification and sociolinguistic realism: the English language in the outer circle. In: Quirk R, Widdowson HG (Eds.). English in the world. Cambridge: Cambridge University Press; 1985.

Kant I. Crítica da razão pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian; 2001.

Malmkjær K (Org.). Translation & language teaching: language teaching & translation. Manchester: St. Jerome Publishing; 1998.

Newmark P. A textbook of translation. New York: Prentice Hall; 1988.

Paz O. Tradução: literatura e literalidade. Tradução de Doralice Alves de Queiroz. Belo Horizonte: FALE/UFMG; 2009.

Pennycook A. Global Englishes and transcultural flows. London: Routledge; 2007.

Rajagopalan K. The concept of World English and its implications for ELT. ELT Journal. 2004; 58(2): 111-117.

Rajagopalan K. A geopolítica da língua inglesa e seus reflexos no Brasil: por uma política prudente e propositiva. In: Lacoste Y, Rajagopalan K (Orgs.). A geopolítica do inglês. São Paulo: Parábola; 2005. p. 135-159.

Ridd MD. Um casamento estranhamente ideal? A compatibilidade de gênios entre o comunicativismo e a tradução. Horizontes de Linguística Aplicada. 2003; 2(1): 93-104.

Ridd MD. Tradução, consciência crítica da linguagem e relações de poder no ensino de línguas estrangeiras. In: Anais do I Simpósio Internacional de Análise de Discurso Crítica; 2005; Brasília. Brasília: [s.n.]; 2005. p. 1-8.

Samarin W. Lingua franca. In: Ammon U, Dittmar N, Mattheier K (Eds.). Sociolinguistics: an international handbook of science of language and society. Berlin: Walter de Gruyter; 1987. p. 371-374.

Seidlhofer B. Closing a conceptual gap: the case for a description of English as a lingua franca. International Journal of Applied Linguistics. 2001; 11(2): 133-158.

Seidlhofer B. Research perspectives on teaching English as a lingua franca. Annual Review of Applied Linguistics. 2004; (24): 209-239.

Seidlhofer B. Understanding English as a lingua franca. Oxford: Oxford University Press; 2011.

Selinker L. Interlanguage. International Review of Applied Linguistics (IRAL). 1972; (10): 209-241.

Selinker LE. Rediscovering interlanguage. London: Longman; 1992.

Siqueira DSP. Inglês como Língua Internacional: por uma pedagogia intercultural crítica [tese]. Salvador: Universidade Federal da Bahia; 2008.

Smith LE. English as an international auxiliary language. RELC Journal. 1976; 7(2): 38-43.

Smith LE. Readings in English as an International Language. Oxford: Pergamon; 1983.

Statista. The most spoken languages worldwide (speakers and native speakers in millions) [Internet]. 2015 [acesso em: 2015 Out 1]. Disponível em: http://www.statista.com.

Stern HH. Issues and options in language teaching. Oxford: Oxford University Press; 1992.

Tarone E. Enduring questions from the Interlanguage Hypothesis. In: Han ZH, Tarone E (Eds.). Interlanguage: forty years later. Amsterdam: John Benjamins; 2014.

Toury G. Interlanguage and its manifestation in translation. Meta: Translators’ Journal. 1979; 24(2): 223-231.

Widdowson HG. Teaching language as communication. Oxford: Oxford University Press; 1978.

Widdowson HG. Explorations in applied linguistics. Oxford: Oxford University Press; 1979.

Published

2018-02-24

How to Cite

DALBEN, Tatiany Pertel Sabaini; SIQUEIRA, Sávio. A PRÁTICA DA TRADUÇÃO NOS PROCESSOS DE ENSINO/APRENDIZAGEM DE ILE E ILF: DEFINIÇÕES, DIFERENÇAS E POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS. fólio - revista de letras, [S. l.], v. 8, n. 1, 2018. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/folio/article/view/2875. Acesso em: 25 may. 2026.