Currículo, cor e colonialidade: a BNCC sob o olhar da miscigenânsia

Auteurs-es

DOI :

https://doi.org/10.22481/folio.v16i2.18359

Mots-clés :

Miscigenânsia, Colonialidade, Justiça Curricular, BNCC, Linguística Aplicada

Résumé

Este artigo propõe discutir como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com sua universalidade normativa e eurocêntrica, intensifica a dor da miscigenânsia e como a Linguística Aplicada Crítica e os estudos decoloniais oferecem caminhos para a concretização da Justiça Curricular. A miscigenânsia emerge como uma categoria de análise que nomeia o sofrimento, a cisão e a dupla não-pertença do sujeito miscigenado, cuja identidade se torna um construto em permanente crise diante do ideal de branquitude. Sob um prisma fenomenológico, o trabalho mobiliza a metodologia da escrevivência (Evaristo, 2020) e a escrita-dor da miscigenânsia (Vieira, 2025) para transformar a alienação existencial (Fanon, 2008) em narrativa e resistência. Analisa-se o Colorismo (Devulsky, 2023) como um instrumento de governança racial que fragmenta a identidade e perpetua a colonialidade do ser (Walsh, 2012). O currículo, ao operar a partir de um universalismo branco (Apple, 2006), ignora essa dimensão corpórea e racializada da existência. Argumentamos que a Justiça Curricular demanda a descolonização desse currículo, expondo o mito da democracia racial e promovendo a reparação epistêmica contra o epistemicídio histórico, validando a complexidade do sujeito miscigenado como uma potência para a transformação social e educacional.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Bibliographies de l'auteur-e

Maria Cilene Lucas Vieira, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Mestranda em Educação pelo FORMEP PUC/SP (2025). Graduada em Letras (2007). Especialista em Tradução (2010). Graduação em Pedagogia (2012). Especialista em Ética, Valores e Cidadania na Escola (2012). Especialista em Gramática e Texto da Língua Portuguesa (2014). Graduação em Artes Visuais (2015). Autora do livro AMORA (2017) - literatura infantil com temática étnico racial inspirado no próprio contexto educacional.

Fernanda Coelho Liberali, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Pesquisadora e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no Departamento de Ciências da Linguagem e Filosofia, nos Programas de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, em Educação: Formação de Formadores e em Educação: Currículo. Possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrado e doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, pós-doutorado pela Universidade de Helsinki, pela Freie Universität Berlin e pela Rutger University e realizou estágio de pesquisa sênior na Universidade de Notre Dame/USA. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq; líder do GP/CNPq/PUC-SP Linguagem em Atividade no Contexto Escolar e do Grupo de Estudos em Educação Bi/multilíngue (GEEB).

Références

Apple MW. Ideologia e currículo. 3. ed. Porto Alegre: Artmed; 2006.

Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC; 2016. (Versão preliminar).

Carneiro AS. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2005. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001465832.

Devulsky A. Colorismo. São Paulo: Jandaíra; 2021.

Duarte CL, Nunes IR (Orgs.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte; 2020.

Evaristo C. Gênero e etnia: uma escre(vivência) de dupla face. In: Moreira NMB, Schneider L (Orgs.). Mulheres no mundo: etnia, marginalidade, diáspora. João Pessoa: Idéia/UFPB; 2005.

Fanon F. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA; 2008.

Freire P. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1987. (Obra original publicada em 1970).

Freyre G. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 48. ed. São Paulo: Global; 2003.

Krenak A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras; 2019.

Mendes MR, Liberali F. Multiletramento engajado como possibilidade para a justiça curricular. Rev. ABRALIN. 2022; 21(2): 351-378. Disponível em: https://revista.abralin.org.

Munanga K. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes; 1999.

Munanga K (Org.). Superando o racismo na escola. Brasília: SECAD/MEC; 2005. Disponível em: https://portal.mec.gov.br.

Munduruku D. Outras tantas histórias indígenas de origem das coisas e do universo. São Paulo: Global; 2008.

Quijano A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: Lander E (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO; 2005. p. 227-278.

Safatle V. O circuito dos afetos: Corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. Belo Horizonte: Autêntica; 2016.

Sawaia B. As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. 1. ed. Petrópolis: Vozes; 2008.

Souza J. A elite do atraso. Rio de Janeiro: Leya; 2017.

Souza J. A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: Editora UFMG; 2009.

Vieira MCL. Escrevivência, literatura infantil e formação de formadores: práticas transformadoras no contexto antirracista [dissertação]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 2025.

Walsh C. Interculturalidad y (de)colonialidad: perspectivas y desafíos. In: Walsh C (Org.). Pedagogías decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Abya Yala; 2012. v. 1, p. 67-88.

Téléchargements

Publié-e

2025-12-31

Comment citer

VIEIRA, Maria Cilene Lucas; LIBERALI, Fernanda Coelho. Currículo, cor e colonialidade: a BNCC sob o olhar da miscigenânsia. fólio - revista de letras, [S. l.], v. 16, n. 2, p. 92–120, 2025. DOI: 10.22481/folio.v16i2.18359. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/folio/article/view/18359. Acesso em: 28 mai. 2026.

Numéro

Rubrique

DOSSIER