O Que Se Esconde Atrás da Página?
Psicanálise, Sedução e Literatura de Terror
DOI:
https://doi.org/10.22481/lnostra.v13i1.16855Palavras-chave:
Iluminado, Stephen King, Teoria da Sedução, Psicanálise, Freud, LaplancheResumo
Entendendo a importância da arte para a psicanálise, esta pesquisa buscou realizar uma leitura do livro “O Iluminado, de Stephen King, a partir da perspetiva psicanalítica. Nossa metodologia se baseia na busca por “notas dissonantes” que chamam a atenção por ameaçar a suposta imagem de coerência do livro analisado, para então voltarmos à teoria psicanalítica, buscando conceitos que possam se relacionar com a obra. A partir disso, percebemos como os poderes de iluminado de Danny desvelam a dimensão da sexualidade, que emerge de maneira invasiva, enigmática e violenta. Também observamos que os poderes sobrenaturais exacerbam o narcisismo do garoto, que passa a atrair outras personagens. Isto nos levou à temática da sedução na teoria psicanalítica. Após um breve panorama da evolução deste conceito, traçou-se paralelos entre a sedução infantil e a sedução originária na psicanálise e em “O Iluminado”. A sedução infantil aparece enquanto ameaça, partindo de figuras adultas e das assombrações do Hotel Overlook, que desejam Danny de maneira violenta e sexual. Já a sedução originária, que ocorre à criança que é exposta a significantes enigmáticos de conteúdo sexual com os quais ela não compreende, remete em grande parte a relação de Danny com seus poderes sobrenaturais, que apresentam a ele palavras e cenas enigmáticas de conteúdo sexual que ele não consegue dar sentido. Por fim, refletimos acerca da acusação da psicanálise de seria “sedutora” em seu trabalho com a arte, ao inserir significações sexuais em uma obra que não tinha quaisquer conteúdo desse tipo, assim como sobre o “livro de terror”, que é capaz de, por meio da palavra, falar do medo causado pela palavra.
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