O arquétipo do pássaro no poema “O canário”, de Severina Branca
DOI:
https://doi.org/10.22481/lnostra.v13i1.17125Palabras clave:
Poesia oral; Experiência; Arquétipo do pássaro; Cativeiros das mulheres; Decolonialidade.Resumen
O presente artigo pretende realizar uma análise do poema “O Canário”, da poeta pernambucana Severina Branca, a partir de elementos literários que poderiam ser compreendidos como inquietações filosóficas de Branca, por meio da figura de um canário enjaulado, que se configuraria como o arquétipo do pássaro. Interessa-nos, ademais, observar nesses versos como o entrelaçamento entre a obra e certos aspectos biográficos - ser mulher, poeta, periférica, analfabeta e ex-prostituta - marcam sua produção poética. Além desses aspectos, destacamos a relevância de conhecer a literatura não canônica produzida por mulheres fora dos espaços de divulgação e recepção literária oficiais. Para tanto, usaremos como metodologia uma pesquisa bibliográfica, de caráter qualitativo. Faremos, a princípio, uma leitura guiada pela Fenomenologia literária (Maria Luiza Ramos), para analisar os aspectos formais do poema e entender como se constrói a figura do pássaro enjaulado. Com o suporte dos estudos de gênero, por meio da noção dos “cativeiros das mulheres”, da antropóloga Marcela Lagarde y de los Ríos; dos estudos decoloniais, com o olhar de Zulma Palermo; e dos arquétipos literários estudados por Eleazar Meletínski, faremos uma análise do arquétipo do pássaro. Outrossim, discutiremos a contribuição da obra de Branca para repensar o cânone e para resgatar a produção literária feminina, reconhecendo sua participação na ampliação dos espaços de enunciação e representatividade de identidades singulares por meio da literatura.
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