(Des)encontros entre a psicanálise e a literatura:
um breve panorama histórico
DOI:
https://doi.org/10.22481/lnostra.v13i1.40107Palabras clave:
Sigmund Freud, Jacques Lacan, Crítica literária, Teoria psicanalíticaResumen
Desde seu início, a psicanálise se interessou por produções literárias; contudo, suas interfaces são permeadas por divergências, em grande parte atribuídas às primeiras apropriações do objeto literário pela psicanálise. O primeiro psicanalista, Sigmund Freud, inicialmente, se dedica à relação entre autor e obra, não só na literatura, mas na arte de forma geral, privilegiando a investigação da vida psíquica do autor em detrimento da produção artística. Entretanto, em alguns trabalhos, ele superou esse determinismo, como é o caso do texto Das Unheimliche (1919), ao investigar o conto “O Homem de Areia”, de E.T.A Hoffman, neles Freud ressalta os aspectos da narrativa e de seus personagens e não a novela edípica do escritor. A psicanálise herda de Freud, e reafirma com a contribuição lacaniana, o reconhecimento da vertente cultural da literatura como um material profícuo para estudar a linguagem, os laços sociais e os relevos de cada época, através do ficcional que é constituído do mesmo material de uma análise: a palavra, considerando as especificidades do campo literário e privilegiando a interpretação das camadas de significação do texto. Ao buscar compreender as mutações pós-freudianas de abordagem da literatura, percorremos as contribuições de algumas psicanalistas contemporâneas para compreender as confluências entre esses dois campos, como Heloisa Caldas (2007), Shoshana Felman (2020), Lucia Castello Branco (2022) e Cleusa Rios P. Passos (2009), que seguem na esteira lacaniana de romper com as outras práticas reducionistas e de patologização dos personagens e do autor.
Descargas
Citas
ANDRADE, M. C. Para que serve a escrita? Freud escreve(-se). Aletria: Revista de Estudos de Literatura, v. 12, p. 31–41, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.17851/2317-2096.12..31-41. Acesso em: 4 jan. 2023.
AUTUORI, Sandra; RINALDI, Doris. A Arte em Freud: um estudo que suporta contradições. Boletim Academia Paulista de Psicologia, v. 34, n. 87, p. 299-319, 2014. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/946/94632922002.pdf. Acesso em: 10 jan. 2023.
BARTUCCI, Giovanna. Psicanálise, literatura e estéticas de subjetivação. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
BRANCO, Lucia C.; SOBRAL, Ayanne Priscila A. O que é psicanálise literária? Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2022.
BRANDÃO, Ruth Silviano. Editorial. Aletria: Revista de Estudos de Literatura. v.12, p. 5-7, dez, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.17851/2317-2096.12..5-7. Acesso em: 9 dez. 2022.
CALDAS, Heloisa. Da voz à escrita: clínica psicanalítica e literatura. Rio de Janeiro: Contra capa, 2007.
CHAVES, Ernani. Prefácio: O paradigma estético de Freud. FREUD, Sigmund. Arte, literatura e os artistas. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
FELMAN, Shoshana. Henry James: loucura e interpretação. BRANCO, Lucia Castello (org.). Shoshana Felman e a coisa literária: escrita, loucura, psicanálise. Belo Horizonte: Letramento, 2020.
FREUD, Sigmund. Deve-se ensinar a psicanálise nas universidades? [1919]. Obras Completas Volume 14: história de uma Neurose Infantil (“O homem dos lobos”), Além do princípio do prazer e outros textos (1917-1920). Tradução Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das letras, 2010.
FREUD, Sigmund. O infamiliar [Das Unheimliche] [1919]. Edição Autêntica das obras incompletas de Sigmund Freud: o infamiliar e outros escritos / Simgund Freud; seguido de O homem da areia / E.T.A Hoffmann. Tradução: Ernani Chaves e Pedro Heliodoro Tavares. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
IANNINI, Gilson; TAVARES, Pedro Hiodoro; ROMÃO, Tito Lívio Cruz. Prefácio: Escrever a clínica: Freud entre a ciência e a literatura. Edição Autêntica das obras incompletas de Sigmund Freud: histórias clínicas: Cinco casos paradigmáticos da clínica psicanalítica. Tradução: Tito Lívio Cruz Romão. Belo Horizonte: Autêntica, 2021.
KEHL, Maria Rita. Deslocamentos do feminino. São Paulo: Boitempo, 2016.
LACAN, Jacques. Joyce, o Sintoma. In: LACAN, Jacques. Outros Escritos. Tradução: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p.565-566.
LACAN, Jacques. Outros Escritos. Tradução: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p. 198-205.
LACAN, Jacques. Lituraterra. In: LACAN, Jacques. Outros Escritos. Tradução: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p.15-28.
MANDIL, Ram. Literatura e Psicanálise: modos de aproximação. Aletria: Revista de Estudos de Literatura. v. 12, p. 42-48, dez, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.17851/2317-2096.12..42-48. Acesso em: 9 dez. 2022.
MANDIL, Ram. Os efeitos da letra: Lacan leitor de Joyce. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2003.
MIRANDA, Ana Augusta Wanderley Rodrigues. O texto literário e o texto inconsciente. Aletria: Revista de Estudos de Literatura. v.12, p.116-117. dez, 2005. Disponível em:https://doi.org/10.17851/2317-2096.12..116-117. Acesso em: 9 dez. 2022.
PASSOS, Cleusa Rios Pinheiro. As armadilhas do saber: relações entre literatura e psicanálise. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009.
PASSOS, Cleusa Rios Pinheiro. Confluências, crítica literária e psicanálise. São Paulo: Edusp, 1995.
SOUSA, Edson Luiz André de. Pósfácio: Faróis e Enigmas: Arte e psicanálise à luz de Sigmund Freud. FREUD, Sigmund. Arte, literatura e os artistas. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
NOEL, Jean Bellemin. Psicanálise e Literatura. Tradução: Álvaro Lorencini e Sandra Nitrini. São Paulo: Cultrix,1978.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Língu@ Nostr@

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.