Fala e escrita: a monotongação em um contexto idade-série
DOI:
https://doi.org/10.22481/lnostra.v14i1.18462Palavras-chave:
Processo fonológico, Oralidade e escrita, Fonologia, MonotongaçãoResumo
Embora haja produção acadêmica expressiva sobre Fonologia e ensino de Língua Portuguesa, observa-se, ainda, a recorrência de apagamentos de grafemas na escrita escolar dos estudantes do Ensino Fundamental Anos Finais. A presença da monotongação, processo concretizado pela redução do ditongo à vogal simples, na escrita dos estudantes, nessa etapa da Educação Básica, evidencia as fragilidades no processo de letramento e demonstra precária consciência fonológica. Documentos oficiais como a BNCC e o Currículo de Pernambuco ressaltam a importância de articular fala e escrita em diferentes práticas de linguagem, orientando uma abordagem sistemática que desenvolva sujeitos críticos e conscientes de seu dizer. Nesse contexto, a incidência da monotongação na escrita, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental, revela a distância entre o repertório oral do estudante e o domínio esperado da norma escrita. À luz da Variação Linguística, reconhece-se que esse processo é natural na modalidade oral, entretanto, sua transferência para a escrita aponta desafios pedagógicos relevantes. Assim, este artigo analisa os aspectos sociais da variação em questão e discute as contribuições da Fonologia e da Sociolinguística Educacional para o ensino de Português, considerando o impacto da variável idade-série no desenvolvimento da escrita. Os resultados da intervenção realizada nesta pesquisa apresentam um caminho promissor para o tratamento do apagamento de grafemas, demonstrando a contribuição positiva do estudo para práticas de letramento linguístico voltadas, especialmente, aos estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. O aporte teórico fundamenta-se, sobretudo, em Bisol (2014), Câmara Jr. (2015), Cagliari (2009) e Bortoni-Ricardo (2004).
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