Análise prosódica do uso não convencional da vírgula em esquema simples em redações de vestibulandos da UEPG
Palavras-chave:
Oralidade e letramento, Fonética e Fonologia, VírgulaResumo
Este trabalho analisa o emprego não convencional da vírgula em esquema simples em redações escritas por alunos que prestaram o vestibular da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) no ano de 2022. Consideramos o Modo heterogêneo de constituição da escrita (Corrêa, 2004) como corrente teórica que norteou nossa concepção de escrita, uma vez que os fatos linguísticos (fala/escrita) são expressos pelo sujeito de linguagem por meio das práticas sociais (oralidade/letramento). Além disso, outra teoria que embasou nossa pesquisa foi a Fonologia prosódica, que, de acordo com Nespor e Vogel (1986), propõe a organização dos elementos prosódicos de forma hierárquica, sendo os constituintes divididos da seguinte maneira: sílaba, pé, palavra fonológica, grupo clítico, frase fonológica, frase entoacional e enunciado fonológico. Diante disso, os constituintes mais altos na hierarquia (frase fonológica, frase entoacional e enunciado fonológico) foram mobilizados em nossas análises, com base em estudos realizados anteriormente, a saber: Araújo-Chiuchi (2012); Soncin (2014); Soncin e Tenani (2015); Soncin e Rodrigues (2018); e Francisco (2024). O córpus desta pesquisa é formado por textos fornecidos pela Coordenadoria de Processos de Seleção (CPS) da UEPG, dos quais selecionamos 50 redações com nota zero e 50 redações que obtiveram nota abaixo da média. Como resultado, corroboramos resultados de estudos anteriores (Soncin, 2014; Francisco, 2024) que apontam que a frase entoacional é o constituinte que, predominantemente, motiva o emprego de vírgula, embora haja outros domínios que envolvem esse processo, como a frase fonológica e o enunciado fonológico (Araújo-Chiuchi, 2012). Sendo assim, também concebemos a vírgula para além de um sinal gráfico, pois estabelece relações sintáticas e semânticas mobilizadas no nível prosódico.
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Referências
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