Axé que cura: corpo, comunidade e ancestralidade nas terapêuticas de terreiro como práticas integrativas no SUS
DOI:
https://doi.org/10.22481/odeere.v10i1.17045Palavras-chave:
Práticas Integrativas, Religiões Afro-brasileiras, Saberes tradicionais, Saúde mental, Sistema Único de SaúdeResumo
Este artigo tem como objetivo analisar, por meio de uma perspectiva afro referenciada, de que forma as terapêuticas de terreiro, baseadas nas tradições do Candomblé, contribuem para a promoção da saúde mental e como podem dialogar com as diretrizes das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa, de abordagem qualitativa e fundamentada em revisão bibliográfica do tipo integrativa, parte da compreensão de que as práticas de cuidado oriundas do Candomblé como o acolhimento comunitário, o uso de ervas, os rituais, os cantos e os toques apresentam potencial terapêutico, especialmente no enfrentamento do sofrimento psíquico entre populações negras, periféricas. O estudo busca identificar elementos terapêuticos nos terreiros que favorecem o equilíbrio emocional, compreender o papel da espiritualidade e coletividade nos processos de cura e investigar possibilidades de articulação dessas práticas com as políticas públicas de saúde mental no âmbito das PICs. Os resultados apontam para a valorização dos saberes ancestrais e para a construção de um cuidado em saúde mais plural, antirracista, culturalmente sensível e para a compreensão das práticas de cuidado desenvolvidas nos terreiros de Candomblé como responsáveis também pela promoção do equilíbrio emocional e psíquico por meio de vínculos espirituais, comunitários e ancestrais.
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