Do silêncio ao batuque: autoetnografia, reggae e blues no Recôncavo da identidade
DOI:
https://doi.org/10.22481/odeere.v11i1.18597Palavras-chave:
Autoetnografia, Recôncavo Baiano, Edson Gomes, Sine Calmon, Não-lugar, Masculinidade negraResumo
Este artigo, de natureza autoetnográfica, investiga os processos de construção identitária de um homem negro no Recôncavo Baiano, analisando a estranheza inicial em relação ao próprio corpo e o subsequente despertar mediado por encontros culturais. Diferentemente de narrativas centradas na vergonha, explora-se aqui uma desconexão silenciosa, onde os marcadores da negritude eram percebidos como fatos desconectados de um repertório existencial significativo. O trabalho propõe que essa experiência do "não-lugar" foi desestabilizada pelo diálogo com produções artísticas negras locais e globais. Centra-se na análise das obras do regueiro Edson Gomes, do poeta-cantador Sine Calmon e do inovador Baco Exu do Blues, compreendendo-os como intelectuais orgânicos do Recôncavo. Amplia esse diálogo para incluir o impacto do filme "Ó Paí, Ó", de Lázaro Ramos, na infância, e a fundamental mediação dos Racionais MC's na adolescência. Articulando essas vozes artísticas com os referenciais de Frantz Fanon, João Costa Vargas, Regina Marques de Oliveira, Reinaldo José de Oliveira e Osmundo Pinho, o texto traça um percurso que vai da estranheza em Muritiba/BA cidade marcada pelo apagamento sutil da presença negra ao confronto político e existencial em Cachoeira/BA epicentro da resistência e reinvenção negra na Bahia.
Downloads
Referências
BLUES, Baco Exu do. Bluesman. https://www.youtube.com/watch?v=82pH37Y0qC8
CALMON, Sine. Canto pra Iemanjá. In: CALMON, Sine. Cachoeira em Cantos. [Álbum]. Independente, 2015.
FALCÓN, Bárbara. O Reggae de Cachoeira: Produção Musical em Um Porto Atlântico. (Obra mencionada em 2008 sobre a trajetória do artista e a cena reggae local).
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EdUfba, 2008.
GOMES, Edson. Filho de Zumbi. In: GOMES, Edson. Reggae Consciente. [Álbum]. Independente, 2012.
NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectiva, 2016.
OLIVEIRA, Reinaldo José de; OLIVEIRA, Regina Marques de Souza. Origens da segregação racial no Brasil. Amérique Latine Histoire et Mémoire. Les Cahiers ALHIM. Les Cahiers ALHIM, n. 29, 2015.
OLIVEIRA, Regina Marques de. Corpos dóceis, subjetividades ajustadas: educação e disciplinamento racial no Brasil. São Paulo: Cortez, 2018.
OLIVEIRA, Reinaldo José de. Segregação racial e desigualdades urbanas nas cidades brasileiras: elementos para uma observação da necropolítica. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), v. 12, n. 34, p. 131-156, 2020.
PINHO, Osmundo de Araújo. Etnografias do brau: corpo, masculinidade e raça na reafricanização em Salvador. Revista Estudos Feministas, v. 13, p. 127-145, 2005.
RACIONAIS MC'S. Nada como um dia após o outro dia. [Álbum]. Zimbabwe Records, 2002.
RAMOS, Lázaro (Co-criador e Ator). Ó Paí, Ó. Direção de Monique Gardenberg. [Filme]. Rio de Janeiro: Columbia Pictures do Brasil, 2007.
REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês na Bahia em 1835. São Paulo, Companhia das Letras, 2003.
VARGAS, João Costa. Juvenilização e produção da morte social: o genocídio do negro brasileiro. In: VARGAS, João Costa. Juvenilização e exclusão social. São Paulo: Cortez, 2014, p. 89-112.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 ODEERE: Revista Internacional de Relações Étnicas

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você é livre para:
Compartilhar - copia e redistribui o material em qualquer meio ou formato; Adapte - remixe, transforme e construa a partir do material para qualquer propósito, mesmo comercialmente. Esta licença é aceitável para Obras Culturais Livres. O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Sob os seguintes termos:
Atribuição - você deve dar o crédito apropriado, fornecer um link para a licença e indicar se alguma alteração foi feita. Você pode fazer isso de qualquer maneira razoável, mas não de uma forma que sugira que você ou seu uso seja aprovado pelo licenciante.
Não há restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros para fazer qualquer uso permitido pela licença.