Do silêncio ao batuque: autoetnografia, reggae e blues no Recôncavo da identidade
DOI:
https://doi.org/10.22481/odeere.v11i1.18597Palavras-chave:
Autoetnografia, Recôncavo Baiano, Edson Gomes, Sine Calmon, Não-lugar, Masculinidade negraResumo
Este artigo autoetnográfico investiga os processos de construção da identidade de um homem negro na região do Recôncavo, Bahia, analisando o seu estranhamento inicial em relação ao seu próprio corpo e o subsequente despertar mediado por encontros culturais. Diferenciando-se das narrativas centradas na vergonha, explora uma desconexão silenciosa, onde os marcadores da negritude eram percebidos como desligados de um repertório existencial significativo. O trabalho propõe que esta experiência de “não-lugar” foi destabilizada pelo diálogo com as produções artísticas negras locais e globais. A análise centra-se nas obras de Edson Gomes, da poeta-cantora Sine Calmon e do inovador Baco Exu do Blues, compreendendo-os como intelectuais orgânicos do Recôncavo. Amplia este diálogo para incluir o impacto do filme “Ó Paí, Ó”, de Lázaro Ramos, na sua infância e a influência fundamental dos Racionais MCs durante a sua adolescência. Ao articular estas vozes artísticas com as referências de Frantz Fanon, João Costa Vargas, Regina Marques de Oliveira, Reinaldo José de Oliveira e Osmundo Pinho, o texto traça um percurso que vai do estranhamento em Muritiba – cidade marcada pelo subtil apagamento da presença negra – ao confronto político e existencial em Cachoeira – epicentro da resistência e reinvenção negra na Bahia.
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Referências
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