Uma poética da melancolia

a embriaguez de sair de si em Thomas l’Obscur

Autores

  • Michelle Martins Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus de Toledo
  • Mayara Dionizio Université de Picardie Jules Verne

DOI:

https://doi.org/10.22481/lnostra.v13i1.17266

Palavras-chave:

Maurice Blanchot, Desaparição, Impossibilidade, Incomensurável, Literatura, Filosofia

Resumo

O presente ensaio explora Thomas l’Obscur (1950), de Maurice Blanchot, como um espaço de dissolução do ser e de experiência do impossível, articulando-o a uma poética da melancolia e da desaparição. Thomas l’Obscur é uma obra que nos coloca diante da incapacidade de acessar a totalidade do ser, da impossibilidade de se encontrar em uma relação autêntica com o outro, e da eterna busca por um significado que não se realiza. A obra reflete uma experiência do impensável e do irrepresentável, uma escrita que se faz a partir da do limite, da fronteira entre o ser e o não-ser, o visível e o invisível. Desta forma, o objetivo é analisar como a obra encena a fragilidade do sujeito, o esfacelamento da identidade e a recusa da literatura como representação, transformando-a em um campo de forças onde o ser se dispersa no vazio. Para tanto, este ensaio busca fundamentar-se a partir da  concepção blanchotiana de literatura como movimento para o neutro e para o silêncio, da problematização do ser e do nada e de sua compreensão da noção de experiência-limite baitalliana, além de utilizarmos como suporte demais leituras que conversem com o tema.

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Biografia do Autor

Michelle Martins, Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus de Toledo

Michelle Martins é mãe, escritora, filósofa, professora e pesquisadora doutoranda em Filosofia, com Bolsa de pesquisa CAPES, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (PPGFil/Unioeste), Campus de Toledo/PR, na linha de pesquisa Ética e Filosofia Política, sob orientação da Dra. Ester Maria Dreher Heuser e coorientação da Dra. Mayara Joice Dionizio. Pesquisa o agenciamento entre a filosofia, literatura, política, e linguagem, provocando tópicos ao entorno do campo da subjetividade, da ética, esquizoanálise, psicologia social e os problemas trazidos pela filosofia contemporânea, em especial pela filosofia da diferença, no campo da subjetividade. Sempre tendo como topos um diálogo com o corpo, a linguagem e o sentido. Mestra em Literatura pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Universidade Estadual de Montes Claros (PPGL/EL – Unimontes, MG), Campus Darcy Ribeiro, com Bolsa de pesquisa CAPES. Graduada em Filosofia pela Unimontes/ MG. Membro do GT Deleuze e Guattari vinculado à ANPOF. Membro do GPfil-Unimontes, MG/ vinculado ao CNPq, sob coordenação do Dr. Alex Fabiano Correia Jardim.

Mayara Dionizio , Université de Picardie Jules Verne

Mayara Dionizio é filósofa, escritora e tradutora. Doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná e em Littérature et civilisation française pela Université de Picardie Jules Verne. Autora de Antonin Artaud, o instante intermitente (2020), publicado pela Ed. Madrepérola, e assina as recentes traduções de L'Amitié/A amizade (2023) de Maurice Blanchot, pela Sr. Teste (Portugal); Minha mãe ri, de Chantal Akerman, pela Sr. Teste -segundo semestre de 2025; Correspondência com Jacques Rivière e Van Gogh, o suicidado pela sociedade (2022), de Antonin Artaud, pela Editora Via Verita; O verbo roubado (Textos escolhidos de Antonin Artaud)- primeiro semestre de 2025, Editora Sobinfluência; Por uma arte revolucionária independente, de André Breton e Leon Trotsky- primeiro semestre de 2025, Ed. Sobinfluência; Teorias feministas viajantes: internacionalismo a partir das lutas latino-americanas, de Mara Montanaro- segundo semestre de 2025, Editora Sobinfluência. Atualmente é pesquisadora de pós doutorado em Filosofia (UFPR), pesquisadora vinculada e convidada pelo CRAE- UPJV (Centre de Recherches en Arts et Esthétique- Université de Picardie Jules Verne) e membra do comitê de redação do Espace Maurice Blanchot. Estuda temas ligados à subversão literária do sentido, a antinomia filosófica-política-jurídica ligada à ruptura institucional, bem como os movimentos de insurreição frente à tradição revolucionária a partir da literatura.

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Publicado

2026-01-24

Como Citar

MARTINS DE ALMEIDA, Michelle; DIONIZIO , Mayara. Uma poética da melancolia: a embriaguez de sair de si em Thomas l’Obscur. Língu@ Nostr@, [S. l.], v. 13, n. 1, p. 79–101, 2026. DOI: 10.22481/lnostra.v13i1.17266. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/lnostra/article/view/17266. Acesso em: 21 maio. 2026.