Chamada de Publicação

V. 14, N. 2  jul./dez. 2022

Seção VERTENTES & INTERFACES I: Estudos Literários e Comparados

Data limite para o envio dos manuscritos: 30 de setembro de 2022.

DossiêModernidade periférica e modernismo negro: cem anos depois de 22

Ementa:

No ano em que se completa o primeiro centenário da semana de 22, evento adotado pela historiografia canônica da cultura e da literatura nacional como o marco do modernismo, emergem uma série de publicações, congressos e trabalhos que buscam discutir a centralidade, atualidade e contradições do movimento para a cultura brasileira. Nesse contexto, surgem, de forma ainda insuficiente, algumas proposições sobre a questão racial no modernismo de 22. Entre elas destacamos o levantamento e a identificação da contribuição negra para o movimento modernista; a exclusão de autores e obras dos índices canônicos do modernismo; o embranquecimento de autorias importantes no cenário de 22; o debate sobre o lugar do modernismo no funcionamento do mito da democracia racial e tópicos afins. Diante desse quadro, há um esforço de intelectuais negras e negros para que essa revisão e seus debates não fiquem delegados ao campo tradicional e branco da literatura e da cultura, sobretudo, devido a relevância do modernismo no debate racial brasileiro, pautando a mestiçagem como regulador ético e histórico utilizado de forma a negar ou atenuar as tensões raciais da nossa sociedade. Por isso, acreditamos que um debate sobre os modernismos negros (Augusto, 2020), suas expressões estéticas e éticas, é central para que a revisão em curso não possa mais negligenciar a experiência negra na modernidade brasileira, nosso legado cultural e estético, nossas obras e autores. Para isso, acreditamos que é necessário tanto pautar a participação afro-brasileira no projeto modernista de 22, como entender de que forma as propostas modernistas de artistas negros brasileiros se conectam com outras experiências modernistas, pois é a partir da compreensão da cultura negra espalhada pelos diversos territórios da diáspora que compreenderemos melhor as produções modernistas  feitas no Brasil; ou seja, em comparação com o que foi produzido no Atlântico negro e não no ambiente nacional, apenas, pretendemos contornar as definições e limites das estéticas negras como contracultura da modernidade.

As expressões da cultura negra na diáspora foram consideradas por Paul Gilroy como “contracultura da modernidade”. A música negra, por exemplo, do soul ao rap, teria cumprido papel decisivo no desenho de uma comunidade negra de caráter transnacional e diaspórica, o “Atlântico Negro” (Gilroy, 2001). Também se opondo a uma incorporação apolítica da experiência negra no moderno ocidental, Felwine Sarr expõe a possibilidade de considerarmos a existência de modernidades alternativas, negando ao ocidente não apenas a gênese dessa ideia, mas também sua exclusividade (Sarr, 2019). Proposições como essas alertam para o fato das mediações estéticas que modularam as formas de encontro e convívio da população negra nos diversos territórios da diáspora e que nortearam sua arte e suas formas de socialização não se esgotam nos modelos fornecidos pela Europa, como as comunidades nacionais. Sendo assim, essas expressões estéticas devem ser lidas como produções que agenciam, em muitos casos, uma crítica negra do projeto moderno, espalhadas pelos diversos modernismos existentes no Atlântico negro, do movimento da negritude antilhana, passando pela literatura negra e periférica, no Brasil e pelo hip hop americano. Partindo dessas considerações, nesse dossiê estamos interessados em receber trabalhos que invistam em debater, investigar, discutir as expressões estéticas da cultura negra enquanto críticas do projeto de modernidade euro-ocidental, no campo da literatura e das linguagens artísticas em geral. Serão bem-vindos trabalhos sobre o hip-hop, literatura negra, literatura periférica, literatura africana, cinema e artes negras em geral, proposições críticas sobre a estética negra, sempre abordadas de maneira que aponte a relação das obras e autores com a modernidade e ou o projeto modernista brasileiro, seja rasurando, implodindo, ou propondo outras modernidades diferentes da que presidiu o projeto euro-ocidental para o mundo.

Compreendemos esse dossiê como um lugar de encontros, que possibilita trocas e circulação dos intelectuais e pesquisadores negros que se debruçam sobre o tema, direta ou indiretamente, com isso, buscamos contribuir no processo de informar a participação da população negra como dado central na experiência brasileira da modernidade.

Organizadores: Jorge Augusto (Instituto Federal Baiano); Zoraide Portela Silva  (Universidade do Estado da Bahia - UNEB).

 

 

Seção NASCENTES

Tema Livre  e submissão contínua.

 

Seção REPERTÓRIO

Tema Livre e submissão contínua.