Chamada de Publicação

V. 13, N. 2   jul./dez. 2021

Seção VERTENTES & INTERFACES I: Estudos Literários e Comparados

Data limite para o envio dos manuscritos: 30 de outubro de 2021.

Dossiê: Literatura e Velhice

Ementa: A velhice é um marcador social recorrente na Literatura; sua representação, contudo, é geralmente evidenciada de forma homogênea, como se a experiência de envelhecimento fosse tão semelhante que fizesse desaparecer as diferenças no que diz respeito à classe, ao gênero, à etnia e à religião. Para Simone Beauvoir, “se os velhos manifestam os mesmos desejos, os mesmos sentimentos, as mesmas reivindicações que os jovens, eles escandalizam; neles, o amor, o ciúme, parecem odiosos ou ridículos, a sexualidade repugnante” (1990, p. 10). Entretanto, Guita Debert (2012) demonstra que há uma tendência contemporânea de inverter a representação da velhice como um processo de perdas, atribuindo-a novos significados, cujos experiência vivida e os saberes acumulados são ganhos que possibilitariam aos mais velhos oportunidades de explorar novas identidades, realizar projetos que não puderam se concretizar em outras etapas da vida, estabelecer relações mais efetivas com o mundo dos mais jovens e mais velhos. Tomando o pensamento de Rita Terezinha Schmidt (2017, p. 40), para quem “a obra literária não habita um mundo ideal, mas um mundo real do qual se alimenta e no qual atua, refletindo e interpenetrando o mesmo e, assim, influenciando ideias, valores e ação”, consideramos que a Literatura, enquanto espaço de poder, insurge contra os modelos hegemônicos ao redefinir novas perspectivas de conceber o envelhecimento. Para além disso, entendemos, como Paul B. Preciado, a Literatura como uma tecnologia de subjetivação, capaz de criar corpos políticos e imaginários identitários (PRECIADO, 2018; 2020). A literatura revela-se também como via alternativa de resistência e visibilidade para parcela dos idosos do grupo LGBTQIA+, notadamente as pessoas trans, cuja estimativa de vida no Brasil não favorece a expectativa de atingirem a "transvelhice", em razão das inegáveis violações aos seus direitos e à vida digna (NERY, 2019). Por certo, as verdades desagradáveis - para o gênero humano ao qual pertencemos, ou para nós mesmos - têm maiores possibilidades de conseguir exprimir-se em uma obra literária do que em uma filosófica ou científica (TODOROV, 2014). Assim, nossa proposta consiste em acolher, para submissão, trabalhos que enfoquem em concepções que reconfigurem as representações da velhice na Literatura.

REFERÊNCIAS

BEAUVOIR, Simone de. A velhice; tradução de Maria Helena Franco Monteiro. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1990.

DEBERT, Guita Grin. A reinvenção da velhice: socialização e processos de reprivatização do envelhecimento. São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo: Fapesp, 2012.

NERY, JOÃO W. Velhice transviada: Memórias e reflexões. 1a ed. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2019.

PRECIADO, PAUL B. Testo Junkie. Sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica. São Paulo; n-1,2018.

_______. Um apartamento em Urano. Crônicas da travessia. São Paulo: Zahar, 2020.

SCHIMDT, Rita Terezinha. Descentramentos/convergências: ensaios de crítica feminista. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2017.

TODOROV, Tzvetan. A vida em comum: ensaio de antropologia geral. Tradução Maria Angélica Deângeli, Norma Wimmer. - I. ed. - São Paulo: Editora Unesp, 2014.

Organizadores: Marcus Antônio Assis Lima; Catherine Santana Souza; André Sampaio Viana

 

 

Seção NASCENTES

Tema Livre  e submissão contínua.

 

Seção REPERTÓRIO

Tema Livre e submissão contínua.