Mãe Stella de Oxóssi e a disputa pela memória negra em Salvador
DOI:
https://doi.org/10.22481/odeere.v11i1.18608Palavras-chave:
Racismo religioso, Mãe Stella, candomblé, Salvador, memória negraResumo
Este artigo analisa as disputas em torno da memória negra no espaço urbano de Salvador, na Bahia, a partir do caso de Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá e referência central do candomblé no Brasil, com atuação histórica na defesa das religiões de matriz africana. A pesquisa examina os ataques simbólicos e materiais dirigidos à escultura erguida em sua homenagem, compreendendo-os como expressões do racismo religioso e das tensões que atravessam a presença negra na cidade. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se na análise documental, na etnografia urbana e na revisão bibliográfica, dialogando com a antropologia da cidade, os estudos sobre memória e as relações étnico-raciais. Argumenta-se que a controvérsia em torno da imagem de Mãe Stella revela disputas mais amplas sobre quais narrativas, corpos e saberes são legitimados no espaço público, evidenciando os limites da patrimonialização e do reconhecimento institucional das religiões de matriz africana. O artigo contribui para o debate sobre memória negra, racismo religioso e políticas urbanas no contexto brasileiro.
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