Universidade e roça: saberes na encruzilhada

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/poliges.v2i3.9891

Palavras-chave:

Raça, Universidade , encruzilhada , reterritorialização

Resumo

O artigo é parte da tese de doutoramento que trata da relação entre roça e universidade na contemporaneidade, nos sertões da Bahia. Objetiva responder qual o impacto da universidade na roça, no tocante aos processos de desterritorialização/reterritorialização versus políticas de “fixação do homem ao campo”. Fundamentada na História Oral e em Epistemologias do Sul, apresenta a escrita a partir do diálogo entre teoria e experiência, tendo as narrativas dos entrevistados como fonte principal, e, de forma metafórica, compara o acesso à universidade a curva e a encruzilhada do caminho. A relação entre universidade e roça é avaliada pelo duplo movimento de oferta e acesso efetuado respectivamente, pela universidade e pela roça. Neste contexto, a multicampia representa um ganho para a roça, contudo, exige o deslocamento dos corpos da roça até a universidade. A roça não é visível para a universidade, ao contrário, ambas se encontram em lados opostos da linha abissal que separa o conhecimento em válido (universidade) e invisível (roça). Validar o conhecimento produzido e reproduzido pela roça, multiterritorializando e/ou descolonizando corpos e a própria roça, constitui o desafio da relação entre roça e universidade.

 

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Biografia do Autor

Maria Dalva de Lima Macêdo, Universidade do Estado da Bahia - UNEB

Possui graduação em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (1997) e mestrado em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (2011). Doutorado pelo Programa Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia (2020). 

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Publicado

2022-03-29

Como Citar

MACÊDO, M. D. de L. . Universidade e roça: saberes na encruzilhada . Revista de Políticas Públicas e Gestão Educacional (POLIGES), [S. l.], v. 2, n. 3, p. 78-103, 2022. DOI: 10.22481/poliges.v2i3.9891. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/poliges/article/view/9891. Acesso em: 21 maio. 2022.